quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Colocando o Trinity Desktop na sua máquina

Colocando o Trinity Desktop na sua máquina

O Trinity Desktop Environment (TDE) é uma "reformulação" moderna do KDE 3.5 do "quase" bom e bonito ambiente gráfico lá dos anos 2000.

 

"Quase" por que KDE naquela época de máquinas bem mais pererecas do que as que se vê hoje sofria com problemas de desempenho e bugs devido ao que se tinha disponível na época, como placas-mãe "PC Shits" onde tudo era onboard e coitado do processador que tinha que se virar com toda a carga que jogavam em cima dele. Quem é dessa época deve se lembrar das famosas placas de modem Motorola SM56 da vida que conectava via ligação discada e, dependendo da máquina, desconectava logo depois pois a função de modulação e demodulação dos sinais era feito pelo processador que não aguentava o nível de processamento. Tinha uma placa na época que usava um chipset da Connexant, essa sim funcionava bem e quem conseguia uma era o rei da cocada pois era uma placa boa e barata se comparada às da US Robotics existentes na época.

O KDE então, por conta de bugs reais (como o painel fechar de vez em quando) e também pelo exagero de uso por parte dos usuários que forçavam o sistema a rodar em máquinas bem fuleiras, acabou ficando com o estigma de ambiente pesado e instável. Hoje o KDE (que agora é Plasma) está muito estável e com basicamente a mesma leveza funcional de outros ambientes gráficos. Mas no meio de tanta interface gráfica fechada ou muito simples para os dias de hoje, um grupo se juntou e criou um fork do KDE 3.5 e que está funcional até hoje, com os programas do KDE 3.5 "migrados" para o TDE mas que ainda mantém a funcionalidade dos programas modernos de hoje. Isso quer dizer que, mesmo mantendo o ambiente funcional do KDE 3.5 com os programas que foram feitos para ele, podemos continuar instalando e usando também os programas de hoje sem qualquer problema. O negócio seria então se acostumar com o funcionamento do KDE daquele tempo. Por exemplo:

  • Widgets feios ou incompletos;
  • Temas só os desenvolvidos para o 3.5 a não ser os de ícones, que funcionam de outras distribuições;
  • Menu de ações do mouse muito cheio de frescuras para serem criados pelo usuário;
  • Preview de vídeo não funciona para os arquivos mp4 e mkv modernos mas funciona o de áudio e de imagens, entre outros;
  • Poucas opções de menus de aplicativos;
  • Mesmo instalando os pacotes de linguagem pt-br, a interface ainda tem (ou mantém) partes em inglês;
  • Entre outras.

 Se você ficou interessado em usar o Trinity, basta seguir os passos mostrados abaixo.

Adicionar os repositórios

sudo nano /etc/apt/sources.list.d/tde.list

Coloque dentro:

deb http://mirror.ppa.trinitydesktop.org/trinity/deb/trinity-r14.1.x trixie main deps

# Optional sources
deb-src http://mirror.ppa.trinitydesktop.org/trinity/deb/trinity-r14.1.x trixie main deps 

Salve com ctrl+o e feche com ctrl+x. Depois:

  • wget http://mirror.ppa.trinitydesktop.org/trinity/deb/trinity-keyring.deb
  • sudo dpkg -i trinity-keyring.deb
  • sudo apt update 
  • sudo apt install --install-recommends tde-trinity tdemultimedia-trinity tdegraphics-trinity tdeutils-trinity tdegames-trinity tdenetwork-trinity tdeadmin-trinity tde-i18n-ptbr-trinity

Aguarde a instalação - são quase 500MB de arquivos; se aparecer a janela de escolha de login gráfico, mantenha o que você já usa, como o GDM ou o SDDM. Depois de instalado, reinicie a máquina, escolha na tela de login o ambiente Trinity e você terá a interface gráfica do KDE 3.5 para você utilizar. É claro que podem ser necessárias algumas alterações de recursos da interface mas isso é fácil de ser feito.

O "Painel de Controle" é o mostrado abaixo.


 Nele você configura todas as opções do sistema, como aparência, dispositivos, comportamento do ambiente, do mesmo modo que se faz em outras interfaces gráficas. Como o ambiente vem com programas do KDE (como Amarok, Juk, etc), provavelmente você vai precisar mudar as associações de arquivos aos programas que você prefere em vez de usar os já presentes. Pode fazer sem medo pois essas mudanças não vão afetar outros ambientes gráficos que você tenha na sua máquina e todos os programas que você já possui vão funcionar sem problemas.

Só dou como sugestão não fazer muita firula com o painel, principalmente a parte de auto-ocultar que é sofrível e é a que mais faz o Kicker (painel) fechar e não voltar mais. No caso de você ter feito alguma coisa e o painel não voltar mesmo depois de reiniciar a máquina, faça isso no Terminal:

Para fecha a instância atual:
killall kicker 2>/dev/null

Remove o arquivo de configuração zoado:
rm -f ~/.trinity/share/config/kickerrc

Para fazer o Kicker abrir novamente na sessão:
kicker &

Isso vai trazer o Kicker de volta ao seu funcionamento normal original. Pode configurá-lo de novo mas sem a opção de auto-ocultação pois é o que mais provoca erros nele. O resto da configuração e uso você pode ver nesse vídeo.

domingo, 2 de agosto de 2026

Corrigindo o erro de temas claros e escuros no XFCE quando se troca de interface gráfica

 Como o Gnome e Plasma 6 podem bagunçar o GTK 3 e 4

Quem usa mais de uma interface gráfica (como eu) pode acabar tendo que lidar com temas claros e escuros que não "montam" as janelas direito, com temas claros aparecendo escuros ou "parcialmente" claros, principalmente no XFCE e outras interfaces gráficas. 

A imagem acima mostra uma janela do Thunar (XFCE) que deveria estar toda branca obedecendo o tema escolhido (no caso, WhiteSur Light) mas só o título da janela permanece na cor do tema. Esse erro pode ocorrer devido a alguns "overrides" que podem ser inseridos nos arquivos de configuração para que temas do Plasma 6 que usam GTK possam ser usados sem problemas OU temas para Gnome que usam Libadwaita (específico do ambiente) e que podem "travar" o tal modo escuro em outros ambientes gráficos. E além das janelas, os painéis podem sofrer também com esse tipo de interferência, com determinados pontos com tonalidades diferentes.

Para resolver isso, vá no Terminal e digite:

xfconf-query -c xsettings -p /Net/ColorScheme -s ""
gsettings set org.gnome.desktop.interface color-scheme 'default'

Se der erro no primeiro comando, digite esse:

xfconf-query -c xsettings -p /Net/ColorScheme -n -t string -s ""

e depois:

gsettings set org.gnome.desktop.interface color-scheme 'default'

Depois, ainda no Terminal:

nano ~/.config/gtk-3.0/settings.ini

Procure a linha:

gtk-application-prefer-dark-theme=1 ou true

e troque por:

gtk-application-prefer-dark-theme=0 ou false 

Salve o arquivo e faça o mesmo com ~/.config/gtk-4.0/settings.ini.

Aproveite para apagar o arquivo abaixo:

rm -f ~/.config/gtk-4.0/gtk.css

Reinicie a interface gráfica (logoff/logon) e veja se resolveu. Você pode também apagar o arquivo ~/.config/gtk-3.0/gtk.css se por acaso algumas janelas de determinados programas ainda se comportarem de modo inadequado. Só se lembre de que isso pode voltar a ocorrer se você mudar de interface gráfica caso a sua máquina tiver mais de uma, ainda mais se uma das interfaces for o Gnome devido ao modo como o Gnome e o GTK estão sendo construídos dentro do ecossistema. Se voltar a acontecer, já sabe como resolver.



sexta-feira, 31 de julho de 2026

Por que o Gamemode parece não funcionar em alguns sistemas?

 O Gamemode e as configurações da placa-mãe

O Gamemode é um script criado pela Feral Interactive e visa deixar o sistema mais "esperto" para jogos e demais programas que precisam de uma turbinada na máquina em termos de processamento geral. O recurso funciona enquanto o jogo ou aplicação estiver rodando o script e assim que o aplicativo parar de funcionar o sistema volta "ao normal". Esse funcionamento, a instalação e uso do Gamemode por ser visto nessa postagem desse blog.

Mas para que isso seja possível, algumas configurações da placa-mãe devem ser observadas pois, se algo estiver habilitado ou não, pode fazer com que o recurso até esteja funcional mas não faça o esperado no sistema. De um modo geral o "Setup Defaults" ou o "Optimal Setup Defaults" ou mesmo "Performance Setup Defaults" já são suficientes para permitir o uso do recurso; se você está usando o Gamemode e não parece mostrar efeitos, atente à essas configurações da placa-mãe:

  • Speed Step (EIST): habilitado. Permite que o processador suba e desça o clock de acordo com a demanda de processamento ou condição térmica;
  • Spread Spectrum: desabilitado;
  • (Advanced) Halt State ou C1E: desabilitado. Ativa a economia de energia de modo "agressivo" e pode fazer com que o processador fique sempre no clock mais baixo ou o clock base;
  • Thermal Throtting: habilitado. Permite ao processador, junto do EIST, diminuir o clock de operação em situações de aquecimento, como a que pode ocorrer quando o cooler dele para de funcionar, preservando o mesmo;
  •  Clock Modulation: disable;

Os itens acima devem estar nessas condições de funcionamento para que o Gamemode possa funcionar de forma adequada sem comprometer as "regras" de funcionamento seguro do processador. Se, por exemplo, o Halt State estiver habilitado, mesmo que o processador esteja em modo Performance o mesmo não sairá do clock base ou o mínimo de funcionamento de fábrica. O Speed Step (EIST) e o Thermal Throtting precisam SEMPRE estar habilitados pois são eles que vão permitir o processador se proteger de um cooler que tenha parado de funcionar ou de um "evento funcional atípico" para não ter uma avalanche térmica.


Essas opções na BIOS da placa-mãe costumam ficar em alguma tela Advanced ou Tweaks na área do processador ou energia. Na imagem acima os itens em amarelo são os mais relevantes e devem estar assim como enable/disable conforme mostrado para que o recurso do gamemode possa funcionar e também manter a integridade do processador.

Até aqui falei sobre desktop, agora vamos ver com notebooks. Notebooks sofre com problemas de economia de energia e de aquecimento, então as regras de funcionamento são mais rígidas. Serviços como o TLP simplesmente sobrescrevem as configurações inseridas pelo gamemode quando está em funcionamento mas esse serviço é essencial para manter a autonomia de bateria do equipamento. Mas ele pode ser configurado para funcionar de modo inteligente, veja se o seu sistema usa o Power Profile (é mais para desktop mas nunca se sabe). Abra o Terminal e digite:

sudo systemctl status power-profiles-daemon

Deverá aparecer algo como "service not found" ou algo assim. Então, no Terminal, digite:

sudo nano /etc/tlp.conf

Basicamente é um arquivo grande cheio de linhas comentadas. Como exemplo de teste, coloque lá no final do arquivo, salve e feche o arquivo com ctrl+o e ctrl+x e reinicie a máquina:

############################################################################# 

--- CONFIGURAÇÃO PARA TOMADA (USO COMUM + GAMEMODE) ---
 

CPU_SCALING_GOVERNOR_ON_AC=schedutil

CPU_BOOST_ON_AC=1

CPU_MAX_PERF_ON_AC=100

SCHED_POWERSAVE_ON_AC=0

############################################################################# 

  • CPU_SCALING_GOVERNOR_ON_AC=schedutil => Varia o clock no uso diário (o padrão); quando em GameMode troca pra 'performance' no jogo ou programa, voltando ao modo Schedutil quando o Gamemode é fechado;
  • CPU_BOOST_ON_AC=1 => Libera o Turbo Boost (tanto AMD quanto Intel) pra quando o GameMode ou o sistema pedirem;
  • CPU_MAX_PERF_ON_AC=100 => Teto de 100% de frequência liberado;
  • SCHED_POWERSAVE_ON_AC=0 => Evita que o kernel tente agrupar tarefas em poucos núcleos

 Abaixo uma configuração para você conciliar o uso do notebook na tomada e na bateria para você colar no arquivo /etc/tlp.conf (conteúdo em azul):

# ==============================================================================
# CONFIGURAÇÃO PARA TOMADA (PERFORMANCE + COMPATIBILIDADE COM GAMEMODE)
# ==============================================================================

# Governor padrão no uso diário (variável). O GameMode alterará para 'performance' ao abrir jogos.
CPU_SCALING_GOVERNOR_ON_AC=schedutil

# Libera o Turbo Boost / Core Boost para a CPU atingir o clock máximo quando solicitado
CPU_BOOST_ON_AC=1

# Teto de frequência em 100% (não capar o desempenho)
CPU_MAX_PERF_ON_AC=100
CPU_MIN_PERF_ON_AC=0

# Desativa economia do escalonador para evitar agrupamento de threads e reduzir micro-stutters
SCHED_POWERSAVE_ON_AC=0


# ==============================================================================
# CONFIGURAÇÃO PARA BATERIA (ECONOMIA AGRESSIVA E MAIOR AUTONOMIA)
# ==============================================================================

# Força o governor focado em economia de energia
CPU_SCALING_GOVERNOR_ON_BAT=powersave

# Desativa o Turbo Boost para impedir picos de frequência e consumo excessivo de carga
CPU_BOOST_ON_BAT=0

# Limita o teto de frequência da CPU (ex: no máximo 50% ou 60% do clock total)
CPU_MAX_PERF_ON_BAT=50
CPU_MIN_PERF_ON_BAT=0

# Ativa a economia do escalonador para agrupar processos e desligar núcleos ociosos
SCHED_POWERSAVE_ON_BAT=1 

Salve e feche o arquivo e reinicie o sistema. O sistema então vai variar os modos performance, schedutil e powersave de modo mais inteligente, principalmente pra quem gosta de jogar no notebook. Veja que você precisa ver como a máquina se comporta, principalmente o desempenho em modo bateria.


 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Ajustes para quem usa zRAM com ssd ou hdd

 Ajustes para quem usa zRAM com ssd ou hdd

Já tem postagens aqui no blog sobre o uso da zRAM que é um recurso de usar a SWAP em um bloco comprimido na RAM da máquina para evitar ou diminuir a escrita em disco, onde discos rígidos podem deixar o sistema mais lento por usar SWAP em disco de forma recorrente. Se você tem uma máquina de pouca potência - algo como Celeron ou máquinas abaixo de i3 de 2ª geração, até 8GB de RAM e disco hdd - e não tem planos para um upgrade e fica sofrendo para usar o seu PC, talvez essa postagem lhe ajude. Mas em cima disso dou como sugestão inicial adquirir um ssd que vai melhorar em muito - mas muito mesmo - o desempenho geral.

Como eu disse, a zRAM é um recurso de SWAP que é alocado em um bloco comprimido "separado" na memória RAM e esse bloco, mesmo "reservado", só é usado em caso de necessidade. O próprio sistema se encarrega de compactar e descompactar os dados em tempo real de forma dinâmica frente às necessidades que o sistema precisa. A SWAP é uma partição ou arquivo que é usado quando o sistema começa a ficar sem memória RAM suficiente para gerir os recursos da máquina; quando se usa ssd a lentidão de acesso nem é tão sentida, o problema é quando se usa disco mecânico. Dependendo da quantidade de RAM e do que o usuário faz na máquina em relação aos programas abertos ao mesmo tempo, é possível ficar sem a SWAP em disco mas é primordial ter algum tipo de SWAP a não ser que a máquina tenha 32GB de RAM ou mais e o usuário não fique com vários programas abertos ou use programas que come toda a RAM do sistema. Levando em consideração o uso de uma máquina abaixo de um i3 de 2ª geração com 4GB de RAM e disco rígido (como a minha atual), vamos ver como implementar uma boa configuração sem usar SWAP em disco. Abra o Terminal e digite:

sudo apt install systemd-zram-generation
 

Depois:

sudo nano /etc/systemd/zram-generator.conf

Coloque dentro:

[zram0]
zram-size = ram / 2
compression-algorithm = zstd
swap-priority = 100

Ctrl+o para salvar e ctrl+x para fechar. depois disso:

sudo systemctl enable systemd-zram-setup@zram0.service

Reinicie a máquina. Se você tiver algum widget que mostre os recursos disponíveis da sua máquina, se você já tiver um swap em disco esse espaço deverá se juntar ao valor da zRAM configurado. A configuração acima vai usar a metade da sua RAM para o arquivo de troca (SWAP). Se achar muito, pode mudar para " ram / 4 " para usar 1/4 da RAM.


 Para retardar o uso da SWAP em disco, no Terminal digite:

sudo nano /etc/fstab

Deve aparecer algo assim (é um exemplo) para SWAP em partição:

UUID=a1b2c3d4-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx none swap defaults 0 0

Para SWAP em arquivo: 

/swapfile none swap defaults 0 0

Identificado o tipo de SWAP, Na linha que aparecer o item "swap/swapfile" coloque a opção "pri=1" conforme exemplos abaixo:

UUID=a1b2c3d4-xxxx-xxxx-xxxx-xxxxxxxxxxxx none swap defaults,pri=1 0 0

/swapfile none swap defaults,pri=1 0 0

Essa configuração vai fazer com que a swap em disco apenas seja usada quando a zRAM estiver cheia. Posso mostrar como desativar a SWAP em disco mas isso pode, eventualmente, fazer com que o seu boot fique lento parando em um determinado ponto e mostrando posteriormente a mensagem de que o dispositivo não pode ser acessado já que a montagem da SWAP não depende exclusivamente do arquivo /etc/fstab. Se você quiser arriscar, basta colocar  sem as aspas " # " na frente da linha referente à SWAP, salvar o arquivo e reiniciar a máquina. Veja que, tendo duas SWAPs (zRAM e a em disco) primeiro a zRAM vai ser usada e depois, caso seja necessário, a em disco devido às diferentes prioridades configuradas.

Pra finalizar, vamos adequar quando a SWAP vai ser usada.

Somente se usar zRAM 

sudo nano /etc/sysctl.d/99-swap.conf

Coloque dentro essa única linha abaixo e salve o arquivo (ctrl+o e ctrl+x):

vm.swappiness = 150

Valores altos como 150 são recomendados para zRAM pura - sem SWAP em disco - no kernel moderno pois forçam o sistema a compactar a RAM antecipadamente sem lentidão de I/O).

Se usar zRAM + SWAP em disco:

vm.swappiness = 30
vm.dirty_ratio = 35
vm.dirty_background_ratio = 8
vm.dirty_expire_centisecs = 5000
vm.dirty_writeback_centisecs = 2500
vm.dirtytime_expire_seconds = 600
vm.vfs_cache_pressure = 100

Ctrl+o pra salvar e ctrl+x pra fechar e reinicie a máquina. Veja o comportamento da máquina frente às novas configurações. A opção mostrada em zRAM + SWAP em disco "vm.swappiness = 30" controla quando o kernel começará a usar a SWAP "dupla", sempre primeiro a zRAM e depois a em disco. Se você usar ssd não há muito com o que se preocupar, só atente caso você use disco rígido, pois os valores mostrados são para evitar ao máximo a escrita em disco justamente porque os hdds são lentos.


 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Auxiliando o OOM Killer do kernel a fechar processos que estejam travando a máquina

 O OOM Killer pode querer ajuda com programas travados

 O OOM Killer é um recurso do kernel que decide se e quando fechar programas que estejam usando muita memória RAM a ponto de eventualmente esgotá-la e fazer com que o sistema trave (por falta de RAM/SWAP) ou fique extremamente lento (por ter que usar swap em disco). Para "medir" isso há um valor de sistema que é o vm.min_free_kbytes cujo valor normalmente é de cerca de 1% da memória RAM total. Pode parecer pouco mas esses cerca de 40MB (em sistemas com 4GB, por exemplo) é suficiente para as funções mais críticas do sistema e suficiente na maioria das vezes para mantê-lo "vivo" até que o OOM Killer feche o eventual executável mal-criado.

Mas pode ocorrer do OOM Killer "chegar atrasado" para fechar o que está provocando a saturação da máquina e, assim, a máquina simplesmente trava mesmo. Há um programa chamado earlyoom que trabalha como o "apressadinho" do sistema, prevenindo de forma mais antecipada o que o OOM Killer faz, uma espécie de garantia de que programas mal comportados sejam parados mas sem atingir, por exemplo, a interface gráfica do usuário (pelo menos numa primeira interação com o sistema), coisa que o OOM Killer costuma fazer, fazendo o usuário voltar à tela de autenticação para logar de novo.

Para instalar o programa:

sudo apt install earlyoom

Vamos configurar o mesmo, no Terminal: 

sudo nano /etc/default/earlyoom

No arquivo padrão, as eventuais linhas que não tenham o # podem ser comentadas ou procure a linha que tem sem as aspas " EARLYOOM_ARGS " e coloque tudo isso mostrado abaixo (o comando é uma linha só):

EARLYOOM_ARGS="-r 0 -m 2 -M 256000 --prefer '^(Web Content|Isolated Web Co)$' --avoid '^(dnf|apt|pacman|rpm-ostree|packagekitd|gnome-shell|gnome-session-c|gnome-session-b|lightdm|sddm|sddm-helper|gdm|gdm-wayland-ses|gdm-session-wor|gdm-x-session|Xorg|Xwayland|systemd|systemd-logind|dbus-daemon|dbus-broker|cinnamon|cinnamon-sessio|kwin_x11|kwin_wayland|plasmashell|ksmserver|plasma_session|startplasma-way|sway|i3|xfce4-session|mate-session|marco|lxqt-session|openbox|cryptsetup)$'" 

O arquivo vai ficar como na imagem abaixo:

 

Ctrl+o pra salvar e ctrl+x pra fechar. Depois disso:

sudo systemctl enable --now earlyoom 

sudo systemctl start earlyoom

As flags da configuração significam:

  • -r 0: Desativa os logs periódicos de rotina (só loga ações do matador de processos).
  • -m 2: Aciona o aviso/ação quando a RAM disponível for menor que 2%.
  • -M 256000: Limite absoluto em Kilobytes (aprox. 250 MB de RAM livre).
  • --prefer: Dá prioridade de encerramento para as abas/processos do navegador (Web Content).
  • --avoid: Protege a interface gráfica, gerenciadores de pacote e serviços vitais do sistema para não fechar seu ambiente de trabalho ou quebrar atualizações.

 Com isso o seu sistema deverá ficar mais preparado para eventuais "acessos de RAM/SWAP" além do disponível.


 

terça-feira, 28 de julho de 2026

A comparação de desempenho entre processadores de uma mesma plataforma

 A comparação de desempenho entre processadores de uma mesma plataforma

    O desenvolvimento e a atualização dos processadores desde que eles foram criados cedo ou tarde bateriam no limite físico dos materiais utilizados nos mesmos e, aparentemente, esse limite chegou: a velocidade de clock. Hoje em dia o clock dos processadores mais novos não conseguem passar muito dos 5Ghz não por falta de preparo técnico dos engenheiros mas, como falei mais acima, mais pelo limite físico e até mesmo "geométrico" dos componentes. Entenda como "limite físico" propriedades como dissipação de calor, condutividade térmica e elétrica e como "limite geométrico" a distância entre os diferentes pontos da placa-mãe e até mesmo dentro do processador. 

    A produção de processadores não difere muito nos dias de hoje do que era há anos atrás: uma "bolacha" cheia de dials de processadores é criada e ali, depois de recortados, os dails (os processadores em si) são montados nos seus substratos e depois submetidos a testes de desempenho e estabilidade. A imagem abaixo mostra como isso é feito.


    Primeiro o processador é submetido a testes de clock, onde vai se aumentando gradativamente a velocidade de clock-base (aquele padrão de fábrica) até o limite operacional do mesmo. Se uma "bolacha" foi feita para atingir 5 Ghz e nesse teste chegou até esse clock sem dar problemas, esse processador é separado. Os outros vão sendo testados e mesmo os que não conseguem chegar ao teto de clock, vão sendo separados de acordo com o clock estável atingido.

    Depois vem o teste de núcleo, onde são testados se os núcleos estão funcionais. Os núcleo que estiverem com defeito serão desligados e se não houver núcleos funcionais então o processador é descartado. Então, juntando o clock atingido, cache interno e os núcleos ativos, temos a marcação do processador como sendo i3, i5, i7 ou i9. Um processador que foi feito para ser um i7 de 10ª geração, por exemplo, se não atingir o clock e os núcleos necessários para ser "batizado" como um acaba sendo rebaixado para um i5 ou mesmo i3 da mesma geração. Assim a perda é mínima.

    Mais lá pra cima falei sobre "limite físico", explicando que é uma questão de espaço físico e também das propriedades elétricas, isolantes e térmicas dos componentes do processador. Basicamente chegou-se ao limite de Ghz possível pra um processador atingir que é cerca de 5.5 Ghz devido às limitações das vias de dados e as distâncias entre os componentes da placa-mãe: apesar dos elétrons teoricamente viajarem quase na velocidade da luz, em um substrato físico isso cai para mais ou menos a metade. Isso limita a quantidade de dados que podem ser transportados por clock e os engenheiros buscam sempre soluções para "botar mais em menos espaço", como no exemplo abaixo.


     O processador, em vez de "crescer pros lados" ele "cresce pra cima" e o curioso é que isso não é notado por nós pois tudo isso é de escala muito pequena e fica tudo dentro do "estojo de alumínio" (IHS) do processador. Esse "crescimento pra cima" também precisa ser muito bem estudado pois há módulos que precisam de isolamento elétrico e outros de fluidez térmica e tudo isso complica a nível microscópico, daí o tal limite físico.

    Hoje em dia o overclock não é mais feito pelo usuário e sim pela disponibilidade funcional dos processadores. Eles saem de fábrica com o clock-base estampado no corpo e esse clock-base é a velocidade que a fabricante garante ser funcional para o processador em uso "normal". Quando o processador em operação percebe que há margem elétrica e térmica seguras para entregar mais desempenho, ele mesmo sobe o clock e gerencia os recursos conforme as possibilidades; o nome disso é "turbo boost" ou equivalente à AMD ou Intel. Veja que isso não é um overclock de verdade como era feito com os processadores mais antigos mas sim o próprio processador "vendo" que pode dar mais dentro das margens de segurança. No modo overclock real, o usuário enfiava um "clockão" e voltagens acima do que o processador aguentava e botava, pra compensar isso (já que geraria mais calor e consumo), um cooler bem mais forte do que os que costumavam vir nos mesmos e ainda assim muitos processadores "morriam" por serem usados acima de suas capacidades por mais tempo do que deveriam.

    No vídeo mostrado abaixo faço uma comparação básica de desempenho entre processadores de uma mesma plataforma.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Como aumentar a fluidez da sua internet usando cache local - DNSmasq

Aumentando a fluidez da sua internet com o dnsmasq 

As pequenas redes presentes na casa do usuário e até mesmo em empresas não costumam possuir um cache de dns para melhorar a responsividade da internet, fazendo com que as requisições de dns sejam repetidas a cada acesso feito por programas que usam a internet. Desse modo, caso um programa, aplicação ou seja lá o que o usuário ou o sistema precise acessar pela internet, se houver necessidade de ocorrer 50 consultas de dns para determinado domínio, todas deverão seguir o mesmo script, que é "aplicação => domínio => busca na internet no servidor dns do seu provedor ou mais acima => acha o ip associado ao domínio pesquisado => retorna para a sua máquina => envia os dados à aplicação que pediu a pesquisa".

Aqui vamos instalar o DNSMasq, que é um cache local para requisições de dns para acelerar a sua navegação e até mesmo, seus downloads - esse último vai depender de vários fatores. Para instalar:

sudo apt install dnsmasq

Como otimização, pode ser que você queira configurar o arquivo do dnsmasq:

sudo nano /etc/dnsmasq.conf

Coloque lá no final:

# Servidores upstream rápidos (Respectivamente 2 do Google, o seu roteador caseiro - no caso o meu, o seu pode ser diferente - e o do CloudFire):
server=8.8.8.8
server=8.8.4.4
server=192.168.1.1
server=1.1.1.1

# Aumenta o limite do cache de respostas (padrão é 150, valores entre 150 e 1000 estão adequados)
cache-size=500
# Aumenta o TTL mínimo de espera para 300s (5 minutos, caso você não queira usar o padrão dado pelo servidor)
min-cache-ttl=300

Salve com ctrl+o e feche com ctrl+x. Você pode ver qual o TTL do IP atrelado ao domínio com o comando:

dig youtube.com

e procurar isso aqui:

;; ANSWER SECTION:
youtube.com.        256    IN    A    142.251.129.238

 

O item em VERDE é o TTL padrão atribuído ao IP pelo servidor. 

Depois da instalação e das eventuais configurações, reinicie a máquina logo depois disso. O vídeo abaixo mostra o uso e tudo mais para otimização do DNSMasq.