quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gamemode, o "viagra" para quem quer um aumento de performance temporário para jogos e programas

O Gamemode é um script criado pela empresa Feral Interactive para seus jogos portados para Linux e depois liberaram para que terceiros ou outras ferramentas pudessem desenvolvê-lo/usá-lo. E não só para jogos, qualquer programa de uso mais pesado pode se beneficiar do Gamemode. Funciona? Sim, até certo ponto. O que o Gamemode faz?

  1. Ativa o modo performance do governor do processador: Permite que o processador "acorde" e entregue mais velocidade de processamento (processadores mais antigos) e que não comprometa a integridade elétrica e térmica do mesmo (mais novos);
  2. Muda a prioridade de processos: A prioridade dos processos (criação, execução, finalização e gerenciamento) em relação ao programa/jogo "turbinado" é colocado em primeiro lugar em relação aos outros processos em segundo plano;
  3. Aplicação de perfis de performance em placas de vídeo: Se o sistema permitir, é possível aplicar modos de performance em placas de vídeo como nVidia;
  4. Desabilita "frescuras de desktop": Pode também desabilitar compositores do desktop, tela de login, screensaver ou outra funcionalidade que possa atrapalhar o uso da máquina, principalmente quando se usa joystick e o teclado e mouse ficam sem uso.
O gamemode é ativado por demanda, ou seja, você precisa especificar o programa ou jogo para ele poder ser executado. Assim, para executar um programa ou jogo deve-se digitar (exemplo com o Gimp):

gamemoderun gimp

Para ver se o gamemode está rodando algo:

gamemoded -s

Para saber os PIDs que estão rodando via Gamemode:

grep -l "libgamemode" /proc/*/maps 2>/dev/null | cut -d'/' -f3 | xargs ps -o pid,comm -p | grep -v "PID COMMAND"

Para instalá-lo:

sudo apt install gamemode

Se utilizar o Synaptic, instale também o widget para Gnome Shell e Plasma, conforme imagem abaixo:
 

Os jogos da Steam costumam detectar se o daemon do gamemode está rodando; nesse caso, o próprio jogo se encarrega de habilitar esse "modo viagra" para poder ter mais fluidez de uso.

Atenção que isso não é um overclock, o Gamemode apenas ativa partes do sistema (hardware/software) que em instalações normais não estão.

E não rode mais de um jogo e/ou programa ao mesmo tempo pois isso tira a premissa original de fazer com que a atenção do sistema seja dada a apenas uma tarefa. Habilitando o Gamemode para mais de uma aplicação, a atenção para essas aplicações (jogo ou programa) até vai funcionar mas elas vão dividir a atenção do Gamemode.
 
E também o Gamemode só será "sentido de verdade" se a máquina do usuário já não estiver com alguma configuração de otimização ativa, como o uso de kernels customizados (XanMod, Liquorix, etc) que já tem por padrão o governor de processador ativado em performance, que é a principal mudança que o gamemode faz no sistema. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Habilitando o modo "performance" do processador no Debian

Há vários kernels customizados para serem instalados e alguns dos mais famosos são o Zen, Liquorix e XanMod, cada um deles com otimizações mais agressivas do que o chamado kernel stock que as distribuições decidem usar nos seus lançamentos. E, realmente, instalando-os em uma máquina com uma distribuição padrão, pode-se mesmo conseguir uma performance superior em relação ao kernel original, como nos exemplos abaixo.

Kernel "normal" do Debian x Kernel XanMod

Kernel "performance" no Debian x Kernel XanMod

O "grande segredo" desses kernels customizados é simplesmente a mudança do governor usado no processador que, na maioria das vezes, está em modo "schedutil"; mesmo que haja outras configurações mais agressivas de gerenciamento de memória e de processos, a principal mudança é realmente do governor.
O governor é o modo como o processador - junto do kernel/sistema - gerencia a velocidade da frequência de operação, que tem nos processadores de hoje a definição de "clock base", aquele em que o processador trabalha com as demandas de processamento dentro das especificações técnicas de dissipação e energia no clock base medidos na fábrica. Se durante o uso o processador "notar" que há margem para dar mais desempenho ele entra no "modo boost", elevando o clock, uso de energia e de dissipação de calor dentro do suportável pelo processador sem que ele pegue fogo. Isso não é overclock já que o mesmo não está sendo forçado a funcionar acima de suas capacidades.

Os modos dos governors são:

  1. Performance: deixa o processador o tempo todo no clock máximo (processadores mais antigos) ou clock base (mais novos);
  2. Schedutil: o padrão, quem controla o clock é o kernel junto do processador;
  3. Powersave: o modo de economia de energia no clock mínimo e que não sobe muito mais mesmo tendo margem para isso, muito usado em notebooks.
Uma máquina já em modo governor performance basicamente não terá tanta melhora do que uma máquina sem o recurso habilitado, o problema é que os kernels customizados costumam estar bem acima da linha adotada de versão de kernel pela distribuição e isso pode fazer com que periféricos parem de funcionar adequadamente e que antes funcionavam.

É possível verificar a condição do governor usando o comando abaixo:

[cmd] echo "performance" | sudo tee /sys/devices/system/cpu/cpu*/cpufreq/scaling_governor [/cmd] Irá aparecer o governor ativo junto do número de núcleos da sua máquina.

Podemos então fazer com que o modo performance seja ativado (ou escolhido) conforme a necessidade do usuário sem precisar usar um kernel customizado. Para fazer isso, abra o Terminal e vamos criar o serviço cpufreq.service:

sudo nano /etc/systemd/system/cpufreq.service

Coloque dentro e depois salve com CTRL+O e feche com CTRL+X:

[Unit] Description=Configurando o CPU governor para performance After=multi-user.target [Service] Type=oneshot ExecStart=/bin/sh -c 'for cpu in /sys/devices/system/cpu/cpu*/cpufreq/scaling_governor; do echo performance > "$cpu"; done' RemainAfterExit=yes [Install] WantedBy=multi-user.target

E depois:

sudo systemctl daemon reload sudo systemctl enable cpufreq.service sudo systemctl start cpufreq.service

Se você tiver algum gadget de monitoramento (como o Conky) verá a frequência do processador de variável mudar para uma fixa mais alta e ali permanecer, com a diferença de que nos processadores antigos fica no máximo (a estampada no IHL do processador) e nos mais novos com a tecnologia que vou citar mais a frente vai mudar da mais alta do clock base para a frequência de operação em modo boost do processador. Só lembrando que tanto o modo EIST (Enhanced Intel SpeedStep Technology da Intel para processadores mais antigos ou o equivalente para AMD) quanto o Turbo Boost e Precision Boost (Intel e AMD) e suas variantes precisam estar ativos na bios da placa-mãe.

É claro que podemos ativar outros modos de governor; de repente o usuário quer botar o modo schedutil em um notebook que funciona em modo powersave para dar mais rapidez à máquina. Para isso basta ir no arquivo cpufreq.service mudar o que está em negrito para o estado que se quer que o sistema trabalhe - performance, schedutil ou powersave.

Também tenha em mente que sair do modo schedutil "padrão" para o performance aumenta o consumo de energia mas essa mudança deixa a máquina mais "esperta" nos momentos de demanda de processamento pois não há atraso no aumento da frequência de operação do processador.

E atenção que não estou com esse artigo querendo desmerecer o trabalho de quem se presta a manter esses kernels alternativos, mesmo porque se eles realmente não melhorassem algo no sistema esse pessoal não perderia tempo com o desenvolvimento e manutenção deles.



segunda-feira, 25 de maio de 2026

A instalação de vários kernels na mesma máquina e a escolha do mais adequado

Uma coisa interessante no Linux é a possibilidade de termos instalados vários kernels e escolher qual vai entrar no boot da máquina. Essa opção é interessante pois nem sempre o kernel stock da distribuição é a mais adequado na máquina em que está instalado, principalmente se estivermos falando em PCs antigos.

Não é raro ocorrer que kernel mais novo implique em nenhuma melhora, podendo ocorrer até uma piora de desempenho da máquina visto que cada combinação de hardware se comporta de modo diferente em diferentes kernels utilizados. Isso é devido às mudanças de parâmetros de funcionamento como governors e schedulers de processador, I/O de memória e disco, mitigações e outros recursos que podem impactar (ou não) o processamento, consumo de energia, latência, responsividade e outros detalhes no funcionamento geral da máquina.

Veja que esse tipo de procedimento normalmente é feito por quem adora testar as coisas, do tipo tirar água de pedra em hardware limitado. A maioria dos usuários usa mesmo o que a distribuição oferece e muitas vezes nem se dão conta desses detalhes, já que o pessoal só quer usar suas máquinas sem muita encheção de saco. Aqui vou usar como base o Debian Trixie, onde vou instalar o último kernel válido do BookWorm e o "novo" kernel da série 7 que existe nos repositórios backports.

Colocando o último kernel do BookWorm

 

Criando o arquivo bookworm-kernel.list e colocando a linha deb no arquivo. Salve e feche com CTRL+O e CTRL+X:

sudo nano /etc/apt/sources.list.d/bookworm-kernel.list deb http://deb.debian.org/debian bookworm main sudo apt update sudo apt install linux-image-6.1.0-47-amd64

Colocando o kernel série 7 no Trixie

 

Editando o arquivo /etc/apt/sources.list e colocando a linha deb no arquivo. Salve e feche com CTRL+O e CTRL+X:

sudo nano /etc/apt/sources.list deb http://deb.debian.org/debian trixie-backports main contrib non-free-firmware sudo apt update sudo apt install linux-image-7.0.7+deb13-amd64

Dessa forma a sua máquina deverá ter os dois kernels normalmente presentes no sistema mais esses dois ou um deles, caso você só escolha instalar um deles. Minha máquina tem os seguintes kernels:

dpkg --list | grep '^ii' | grep linux-image

linux-image-6.1.0-47-amd64 6.1.170-3 Linux 6.1 for 64-bit PCs (signed) linux-image-6.12.90+deb13-amd64 6.12.90-1 Linux 6.12 for 64-bit PCs (signed) linux-image-7.0.7+deb13-amd64 7.0.7-1~bpo13+1 Linux 7.0.7 for 64-bit PCs linux-image-amd64 6.12.90-1 Linux for 64-bit PCs (meta-package)

Assim o usuário mais "mexedor" pode experimentar os kernels disponíveis e escolher o que lhe parecer mais adequado no uso do dia a dia. Na minha máquina perereca (e em outras que testei) o kernel 7 aparentemente resolveu de vez um certo problema de som instável que eu tinha na minha máquina, que usa hardware de 2009 e que me incomodava por fazer vídeos de tutoriais e configurações para o meu canal.

Se você tem um desktop "normal", procure instalar os kernels "signed"; se faz compilação, não esqueça dos headers do kernel instalado.



sexta-feira, 22 de maio de 2026

O auto-editor é um programa de linha de comando que tira, de forma automática, os espaços em branco do áudio de um vídeo e o entrega já editado e pronto para visualização.
Por uma questão que não sei dizer - talvez devido a problemas com máquinas pererecas ou o modo como o auto-editor lida com a edição, uma vez que o vídeo original pode ser editado/visualizado sem problemas - o resultado pode ser vídeos com a tela piscando por alguma inabilidade do próprio programa em renderizar de forma correta o fluxo de áudio e vídeo. Levando em conta isso e também a necessidade do usuário dele mesmo querer botar frescurinhas em suas produções, aqui vou mostrar como usar o auto-editor para exportar a timeline para poder ser aberta em outros editores.

Para instalar o auto-editor e o ShotCut:

sudo apt install auto-editor shotcut

O comando básico de conversão e que pode dar problema seria:

auto-editor vídeo-a-ser-editado --margin 0.30s

O valor de --margin 0.30s pode ser experimentado entre 0.20s e 0.50s pois é o espaço de tempo de "fim de fala e começo de outra" que o programa mede para fazer os cortes. O programa vai analisar o vídeo, separar o áudio e depois fazer os cortes e juntar tudo depois em um arquivo final. Se for um vídeo simples sem muitas pretensões ele já pode ser distribuído para visualização; se der algum problema como os já falados flickers na tela, podemos exportar o trabalho para editar em um editor de vídeo. Ele exporta para:
  • default => conversão padrão mostrada acima
  • premiere => Adobe Premiere
  • resolve-fcp7 => DaVinci Resolve
  • final-cut-pro => Final Cut Pro
  • resolve
  • shotcut => ShotCut
  • json
  • timeline
  • audio => só o áudio já editado
  • clip-sequence => uma sequência de vídeos já sem as pausas de um mesmo vídeo
Então, para exportar para o Final Cut Pro:

auto-editor vídeo-a-ser-editado --margin 0.30s --export final-cut-pro

Será criado um arquivo (o comando deve ser dado onde está o arquivo a ser editado) que poderá ser aberto para ser editado no Final Cut Pro, já com a timeline pronta e bastando ao usuário só dar os toques finais.

Para o ShotCut:

auto-editor vídeo-a-ser-editado --margin 0.30s --export shotcut

O arquivo criado é um mlt que pode ser aberto e editado no ShotCut já com a timeline carregada.

Não consegui fazer a bagaça funcionar no KDEnLive, o programa até tenta abrir mas trava a máquina toda. Mas não tem porque chiar porque o programa avisa (como mostrado mais acima) os formatos que exporta mas a gente tem que tentar, vai que...



terça-feira, 19 de maio de 2026

Instalando as partes faltantes do Plasma 6 quando se usa a instalação mínima

Nessa dica (https://www.vivaolinux.com.br/dica/Trazendo-de-volta-o-Servios-em-Segundo-Plano-no-Plasma6) mostrei como trazer de volta o Gerenciador de Serviços em Segundo Plano que havia no Plasma 5 direto na opção de Configurações e que foi "escondido" no Plasma 6. Agora vou mostrar como colocar certas opções de funcionalidades que parece que o sistema de instalação "esquece" de colocar.

  • Controle de Volume

As versões mais novas não costumam usar o KMix e o usuário pode ficar "meio sem" o botão de volume a não ser via widget como o "Área de Notificação". Instale o pacote "plasma-pa" para você ter o controle integrado de volume com e sem widget:

$ sudo pacman -S plasma-pa (Arch e "agregados");
$ sudo apt install plasma-pa (Debian e "agregados").

  • plasma-firewall

É um pacote que insere no Configurações uma opção de controle de firewall. Uma vez instalado, basta instalar um firewall qualquer para ter acesso e controle da opção. Para instalar o item mais um firewall:

$ sudo pacman -S plasma-firewall firewalld
$ sudo apt install plasma-firewall firewalld

  • sddm-kcm
Linux: Instalando partes faltantes do Plama 6
É a opção no Configurações de você gerenciar o SDDM (login gráfico) do seu Plasma 6.

$ sudo pacman -S sddm-kcm
$ sudo apt install sddm-kcm

  • kscreen
Linux: Instalando partes faltantes do Plama 6
É a opção de controle de resolução de vídeo do seu sistema. Sem ele basicamente não tem como diretamente acessar as várias resoluções disponíveis na sua máquina e alternar entre elas de forma prática.

$ sudo pacman -S kscreen
$ sudo apt install kscreen

Basicamente esses são as opções que vem no Plasma 5 (pelo menos até onde posso lembrar) e que não costumam vir no Plasma 6.



sábado, 16 de maio de 2026

Atualizou o sistema e o VLC morreu? Veja as causas e como contorná-las

Atualizações do sistema podem quebrar o funcionamento do VLC, que pode ser desde a demora na abertura de mídias áudio e vídeo até reiniciar o dispositivo. Esse problema - no caso de vídeo - pode ser devido aos drivers de vídeo utilizados na máquina, que podem influenciar na renderização final do vídeo devido ao OpenGL e Mesa (ambos de novo) em computadores e notebooks mais antigos.

Se você está nessa base, vamos ver como contornar esse problema sem ter que trocar hardware. Abra o VLC e vá em Ferramentas/Preferências. Na janela que abrir, vá no botão Vídeo e escolha em Saída a opção de OpenGL ou XCB.


Ainda em Configurações, vá no botão Entrada/Codificadores e, em Decodificação Acelerada por Hardware, desabilite-o.


Depois disso, clique em Salvar e reinicie o VLC e veja se funcionou. Basicamente tente um ou outro antes de tentar os dois já que desabilitar aceleração por hardware pode deixar o vídeo "arrastado", com perda de quadros pois o pós-processamento é feito desse modo pelo processador. Mas se o dispositivo do usuário não tiver os drivers adequados, seja por falta de instalação dos mesmos ou por não disponibilidade devido às restrições de hardware (processador "x86-64-V1" como os soquete 775), desabilitar esses itens vão ajudar o aplicativo usar as opções corretas em vez de forçar um recurso que a máquina não possui.

Mas o usuário também tem a opção de usar players de vídeo menos "frescos", como Gnome Vídeo, MPV, MPlayer, SMPlayer e tantos outros. Mas o VLC é o VLC, hehehe...
 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

LibreOffice 26.x dando erro em processadores mais antigos

Mais uma pra quem tem máquina antiga: o LibreOffice 2.6.x dando erro de abertura por falta de certas instruções no processador. Quando o usuário vai rodar o programa, vai aparecer isso aqui via Terminal digitando libreoffice26.2:

/opt/libreoffice26.2/program/oosplash: CPU ISA level is lower than required

Isso é devido a falta de certas instruções nesses processadores mais antigos (que são "x86-64-v1") como:

  1. Core 2 Duo e Core 2 Quad (755);
  2. Pentium Dual-Core Séries E2000, E5000 e E6000;
  3. Celeron Séries 400 e E1000/E3000;
  4. Intel Atom versões antigas (séries N200, N400, Z500).

A versão do LibreOffice que não tem "ainda" esse problema é a 25.8.7 presente nos repositórios do Debian. Se o usuário fizer a atualização para a versão 26.2 quando esta estiver disponível ou via Snap/Flatpak esse erro poderá ocorrer se o processador for um daqueles da listagem mais acima.

Se você fez a atualização, o jeito é voltar ao que era antes. Abra o Terminal e digite:

sudo apt purge libreoffice26.2
sudo apt autoremove

Vá no site do Site do LibreOffice e baixe a versão 25.8.7 em formato deb e as opções de tradução e de help offline. Descompacte os arquivos em uma pasta, entre nas pastas DEB e lá dentro, no Terminal:

sudo dpkg -i *.deb
sudo apt install -f

Faça isso em cada uma das pastas DEB dos 3 arquivos descompactados, que são os debs do programa em si, o deb de help e os debs de linguagem.

Com isso você terá de volta a versão anterior funcional.