quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Papagaiando o XFCE - Parte 2

Todo usuário "mexilão" gosta de experimentar coisas novas e a intenção aqui não é transformar o XFCE em um Plasma ou Gnome da vida, mas sim dotar de opções que não pesem no desempenho da máquina. O Xfwm dá conta muito bem das papagaiadas básicas que o usuário gosta, mas dá para avançar um pouco mais sem comprometer a estabilidade e rapidez do uso do sistema. Para isso vamos instalar o gerenciador de janelas Picom, nesse exemplo no Debian:

sudo apt install picom

Para habilitar o Picom, precisamos fazer duas coisas, conforme a seguir.

1 - Desativar os efeitos do Xfwm

Vá no Gerenciador de Configurações do XfCE, Ajustes do Gerenciador de Janelas, aba Compositor e desabilite essa opção:

Linux: Papagaiando o XFCE com temas e recursos


Feche a janela e "vai ficar tudo feio" (é assim mesmo). Abra o Terminal e digite para criar a pasta de configuração e o arquivo de configuração do Picom:

mkdir -p ~/.config/picom

nano ~/.config/picom/picom.conf

Coloque dentro:

#################################
# BACKEND
#################################

backend = "xrender";
vsync = true;

#################################
# SOMBRAS
#################################

shadow = true;
shadow-radius = 8;
shadow-offset-x = -6;
shadow-offset-y = -6;
shadow-opacity = 0.40;

shadow-exclude = [
  "class_g = 'Conky'",
  "class_g = 'xfce4-panel'",
  "window_type = 'dock'",
  "window_type = 'desktop'"
];

#################################
# OPACIDADE
#################################

inactive-opacity = 0.90;
active-opacity = 1.0;
frame-opacity = 1.0;
inactive-opacity-override = false;

#################################
# FOCO
#################################

focus-exclude = [
  "class_g = 'xfce4-panel'"
];

#################################
# OPACIDADE GLOBAL
#################################

opacity-rule = [
  "100:class_g = 'xfce4-panel'"
];

#################################
# PERFORMANCE (XFCE SAFE)
#################################

use-damage = true;
unredir-if-possible = false;

unredir-if-possible-exclude = [
  "class_g = 'xfce4-panel'"
];

#################################
# FADES
#################################

fading = true;
fade-in-step = 0.1;
fade-out-step = 0.1;

#################################
# TIPOS DE JANELA
#################################

wintypes:
{
    tooltip = {
        opacity = 0.90;
        shadow = false;
        fade = true;
    };

    dropdown_menu = {
        opacity = 0.90;
        shadow = true;
    };

    popup_menu = {
        opacity = 0.90;
        shadow = true;
    };

    menu = {
        opacity = 0.90;
        shadow = true;
    };

    dock = {
        shadow = false;
        focus = false;
        full-shadow = false;
        clip-shadow-above = true;
    };
};

Salve com CTRL + O e feche com CTRL + X.

Essa versão acima é para máquina perereca, sem OpenGL decente devido ao driver de vídeo.

Para uma máquina melhorzinha com OpenGL mais funcional (3.0+) use este aqui:

#################################
# BACKEND (OPENGL / GLX)
#################################

backend = "glx";
vsync = true;

glx-no-stencil = true;
glx-no-rebind-pixmap = true;

#################################
# SOMBRAS
#################################

shadow = true;
shadow-radius = 8;
shadow-offset-x = -6;
shadow-offset-y = -6;
shadow-opacity = 0.40;

shadow-exclude = [
  "class_g = 'Conky'",
  "class_g = 'xfce4-panel'",
  "window_type = 'dock'",
  "window_type = 'desktop'"
];

#################################
# OPACIDADE
#################################

inactive-opacity = 0.90;
active-opacity = 1.0;
frame-opacity = 1.0;
inactive-opacity-override = false;

#################################
# FOCO
#################################

focus-exclude = [
  "class_g = 'xfce4-panel'"
];

#################################
# OPACIDADE GLOBAL
#################################

opacity-rule = [
  "100:class_g = 'xfce4-panel'"
];

#################################
# PERFORMANCE (XFCE SAFE)
#################################

use-damage = true;

unredir-if-possible = false;

unredir-if-possible-exclude = [
  "class_g = 'xfce4-panel'"
];

#################################
# FADES
#################################

fading = true;
fade-in-step = 0.1;
fade-out-step = 0.1;

#################################
# TIPOS DE JANELA
#################################

wintypes:
{
    tooltip = {
        opacity = 0.90;
        shadow = false;
        fade = true;
    };

    dropdown_menu = {
        opacity = 0.90;
        shadow = true;
    };

    popup_menu = {
        opacity = 0.90;
        shadow = true;
    };

    menu = {
        opacity = 0.90;
        shadow = true;
    };

    dock = {
        shadow = false;
        focus = false;
        full-shadow = false;
        clip-shadow-above = true;
    };
};

Salve e feche conforme mostrado.

Para ativar e "ver koé", no Terminal (não feche o Terminal):

picom --config ~/.config/picom/picom.conf

Para ativar no sistema, vá no Gerenciador de configurações, "Sessão e Inicialização", aba "Início Automático de Aplicativos" e veja se a entrada já foi criada. Caso não tenha sido, clique em Novo conforme imagem (nome e descrição) e coloque na caixa Comando o comando: picom --config ~/.config/picom/picom.conf.

Linux: Papagaiando o XFCE com temas e recursos


Clique em Ok, feche a janela de configuração e reinicie a máquina e veja se os efeitos aparecem. Os efeitos são transparência e delay na abertura de menus de forma mais dinâmica que o conseguido com o Xfwm.

A primeira configuração vai funcionar em ambos os tipos de máquina (com e sem OpenGL), só o segundo vai funcionar melhor em máquinas com OpenGL funcional. Em máquinas modernas, GLX oferece menor uso de CPU e maior fluidez visual. Xrender permanece como opção extremamente estável e compatível, ideal para hardware antigo ou drivers problemáticos.


Papagaiando o XFCE - Parte 1

O bom do XFCE é que ele não tem muita coisa para configurar em termos de aparência, é como se fosse um gramado pequeno bem cuidado: dá para botar umas flores aqui e ali e são suficientes para tirar a monotonia do verde da grama. Em se tratando de temas, o que melhor se ajusta em termos gerais é o WhiteSur-GTK-Theme que possui as variantes:
  • Light (cores claras e transparências automáticas);
  • Light Solid (cores claras e sem transparências automáticas);
  • Dark (cores escuras e transparências automáticas);
  • Dark Solid (cores escuras e sem transparências automáticas).

Além disso, tem suporte ao XFWM do XFCE, que permite a interação do tema com as transparências e detalhes de montagem do desktop, como menus e janelas com bordas arredondadas e transparências. A imagem abaixo mostra o desktop com o tema na sua forma Light do tema citado:

Linux: Papagaiando o XFCE com temas e recursos


A instalação é fácil: após baixado, descompacte o arquivo, entre na pasta descompactada e, no Terminal (botão direito do mouse/abrir terminal aqui, ou algo assim), digite:

./install.sh

Se der comando não encontrado (se estiver na pasta com o arquivo) pode ser falta de parâmetro de executável, então:

chmod +x "pasta de download descompactada/install.sh"

E repita o "./install.sh" sem as aspas. Vai aparecer uma janela de senha para a instalação de dependências, digite e siga com a instalação. Os temas aparecerão no Painel de Controle do XFCE/Aparência:

Linux: Papagaiando o XFCE com temas e recursos


Temos também o tema de ícones WhiteSur que, inclusive, tem também um plus de um tema de cursores de mouse. A instalação segue o mesmo exemplo do tema GTK. Para acessar o tema de ícones está em Aparência/Ícones; já o de temas de cursores está em Mouse e Touchpad/Tema:

Linux: Papagaiando o XFCE com temas e recursos


Outros temas de GTK, ícones e cursores podem ser encontrados no site:
Alguns temas com compatibilidade direta com o xfwm (gerenciador de janelas nativo do XFCE) e outros não. Os temas baixados devem ser colocados na pasta ~/.themes e ~/.icons do usuário e devem ter o arquivo .theme para poderem ser vistos pelo sistema.

Linux: Papagaiando o XFCE com temas e recursos

Como cortar as partes de um vídeo com passagens de áudio em branco

Essa dica é mais para quem faz tutoriais para a internet ou para estudos sem o uso de câmeras, ou seja, o tutorial é feito para edição prévia de vídeos produzidos por gravação de tela e com o narrador explicando o que está sendo feito. Pode ser tentado com outros tipos de vídeos mas, funcionalmente falando, é mais indicado para aqueles tutoriais onde quem explica as coisas que estão sendo feitas no vídeo da pausas quando está digitando comandos ou fica naquela de pausas mais longas para ir organizando as ideias para o entendimento do conteúdo.

O vídeo então terá as passagens com espaços em branco (sem som ou com pausas) retiradas e o vídeo será montado sem esses espaços, ótimo para narração de tutoriais. Vamos então usar o programa de linha de comando Auto Editor para isso. Abra o Terminal e digite:

Debian e agregados:

sudo apt install auto-editor ffmpeg

Arch Linux:

sudo pacman -S auto-editor ffmpeg

Ou:

yay -S auto-editor ffmpeg

Fedora:

sudo dnf install auto-editor ffmpeg

OpenSuse:

sudo zypper install auto-editor ffmpeg

Uma vez instalado o comando é simples:

auto-editor "nome-do-vídeo-com-a-extensão" --margin 0.15s

O parâmetro --margin 0.15s define o tempo entre o fim e o início da fala, cujo espaço sem som do vídeo será cortado. O valor de 0.15s é mais ou menos o ideal para evitar cortes antes da fala terminar e começar, não deixa o áudio sair "pulando".

Linux: Como cortar as partes de um vídeo com passagens de áudio em branco

Dá pra fazer testes com valores maiores (como 0.18 ou 0.20), então experimente com vídeos curtos - uns 30 segundos - pra ver qual valor se adequa melhor ao seu estilo de narração. O arquivo gerado vai ter o nome do vídeo mais _Altered adicionado ao mesmo para diferencia-lo do original e, ao final da edição, abrirá o player de vídeo padrão do sistema (no caso provavelmente o VLC) para mostrar o resultado.

No meu Plasma 6 criei um service menu para ter acesso ao recurso via botão direito do mouse. No terminal, veja se tem a pasta de SM, digite:

cd /usr/share/kio/servicemenus/

Se der "pasta não encontrada":

sudo mkdir -p /usr/share/kio/servicemenus

sudo nano /usr/share/kio/servicemenus/autoeditor.desktop

[Desktop Entry]
Type=Service
ServiceTypes=KonqPopupMenu/Plugin
MimeType=video/x-matroska;video/mp4;video/quicktime;video/x-msvideo;
Actions=autoEditorTutorial;
X-KDE-Priority=TopLevel
Icon=video-edit

[Desktop Action autoEditorTutorial]
Name=Auto-Editor: Cortar Silêncios (Tutorial)
Icon=edit-cut
Exec=konsole --hold -e auto-editor %f --margin 0.15s
#Atenção ao valor do --margin

CTRL+O pra salvar e CTRL+X pra fechar; depois:

sudo chmod 644 /usr/share/kio/servicemenus/autoeditor.desktop

Depois disso, de posse do vídeo, botão direito do mouse no vídeo e escolha "Auto Editor - Cortar Silêncios (Tutorial)

Linux: Como cortar as partes de um vídeo com passagens de áudio em branco

Pra fazer no Gnome via Nautilus Scripts:

Veja se tem a pasta:

cd ~/.local/share/nautilus/scripts/

Se der "pasta não encontrada":

mkdir -p ~/.local/share/nautilus/scripts

nano ~/.local/share/nautilus/scripts/Cortar_Silencios

#!/bin/bash

# O Nautilus passa os arquivos selecionados através da variável $NAUTILUS_SCRIPT_SELECTED_FILE_PATHS
echo "$NAUTILUS_SCRIPT_SELECTED_FILE_PATHS" | while read -r file; do
    if [ -n "$file" ]; then
        gnome-terminal --wait -- bash -c "auto-editor \"$file\" --margin 0.15s"
    fi
done
# Atenção ao valor do --margin 0.15s

CTRL+O pra salvar e CTRL+X pra fechar; depois execute:

chmod +x ~/.local/share/nautilus/scripts/Cortar_Silencios

nautilus -q

Para usar o recurso é parecido com o Plasma 6, botão direito do mouse no arquivo desejado/Scripts/Cortar_Silencios e veja a "mágica".

Depois é só editar o vídeo com efeitos e tal no KDEnLive pois a parte mais chata já foi feita. E o Auto Editor entrega o vídeo com praticamente a mesma qualidade do vídeo original. 
 


O dock Plank e o U-Launcher deixam qualquer desktop mais produtivo

Ultimamente venho utilizando o XFCE e, como venho de outras interfaces como Gnome e Plasma, procuro fazer com que essa DE me dê a experiência de uso a mais próxima possível que consigo com as duas citadas mas sem querer torná-la "a mesma coisa" pois, se fosse pra fazer isso, seria mais prático me manter nessas DEs que sempre utilizei. A mudança é para procurar algo mais adequado ao meu hardware limitado (e de terceiros) e também para fazer frente às mudanças que vem ocorrendo no Gnome e no Plasma que aos poucos vão fazendo com que a minha máquina (e a de terceiros) não me entregue o que preciso dela.

Com isso em mente e pensando também em outras DEs além do XFCE, estou usando o dock Plank junto do "procurador de programas" U-Launcher para me dar a experiência de uso que preciso pois não gostei de certos aspectos do XFCE - preferência minha e não frescura do sistema. Por exemplo:

  • As opções de procura no XFCE dadas pelos atalhos ALT+F2 e ALT+ F3 são "diferentes" (menos flexíveis) das dadas pelo Gnome ou Plasma;
  • O painel padrão com o plugin "barra de tarefas tipo dock" não se comporta direito dependendo do tema (ícones pequenos e/ou espaçados).

Não chegam a ser um problema mas pode incomodar algumas pessoas mais exigentes. Então, fazendo combinações, cheguei ao dueto Plank + U-Launcher como uma boa opção de leveza e funcionalidade.

 
 

O vídeo abaixo mostra a instalação, configuração e uso desses dois itens, prós e contras e tudo mais que quem se habilitar a experimentá-los precisa saber. Funciona com gerenciadores de janelas (que eu testei) Kwin, Mutter, Picom, XFWM e, desde que sejam instalados os pacotes de "adaptação" para Wayland sobre X11 o seu desktop deverá ficar agradavelmente funcional.




Como recuperar arquivos de discos zoados com o Photorec no Linux

Nessa dica mostro um vídeo (mais lá pro final) de como recuperar arquivos de discos que tenham passado por problemas de partição ou formatação/apagamento acidentais. Só lembrando que o disco tem que estar funcional, se estiver com problemas de hardware aí não vai rolar.

Se você usou o Photorec para recuperar arquivos de discos ou dispositivos de armazenamento deve ter notado que os arquivos não são salvos com seus nomes ou pastas originais, deve aparecer algo assim:

Linux: Recuperando arquivos com o Photorec de discos zoados
 
Apesar de manter as extensões, os nomes ficam como mostrado e em se tratando de arquivos de áudio e vídeo, há uma boa notícia: os arquivos multimídia como vídeos e mp3 tem algo chamado ID3 que é uma espécie de "descritor" que costuma ser usado em player de todo tipo para mostrar na tela informações sobre o arquivo:

Linux: Recuperando arquivos com o Photorec de discos zoados
 
São essas informações que vemos - além do nome do arquivo - nos displays dos players diversos que temos por aí. Essas informações são tão interessantes que há sites que tem banco de dados de CDs comerciais que podem ser acessados por programas de ripagem que incluem essas informações automaticamente nos arquivos.
Se os arquivos recuperados mantiverem esses metadados é possível pegar essas ID3 e adicionar ao nome dos arquivos recuperados sem ter que fazer tudo na mão uma a uma. Abaixo vou colocar um comando que deverá ser copiado e colado no Terminal estando na pasta onde estão os MP3 que se quer renomear com as tags. Antes de tudo, instale o programa Eyed3:

sudo apt install eyed3

Uma vez instalado, o comando é:

for f in *.mp3; do title=$(eyeD3 "$f" 2>/dev/null | awk -F': ' '/^title:/{print $2}'); [ -n "$title" ] && mv -n "$f" "$(echo "$title" | tr '/\:*?"<>|' '_' ).mp3"; done

Esse comando vai pegar os arquivos com ID3 e substituir o nome genérico de arquivo (por exemplo, f61398560.mp3) pelo descritivo "título" (Alanis Morissette - Thank U (OFFICIAL VIDEO).mp3); e os arquivos que não tiverem uma ID3 vão continuar com o nome dado pelo Photorec.

O mesmo comando pode ser usado com vídeos, basta substituir o "mp3" pela extensão desejada (como MKV ou MP4) e usar o comando. Uma boa prática é separar os arquivos de áudio dos de vídeo pra bagaça ficar organizada.




terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

XFCE - uma interface leve e funcional se devidamente configurada

     O XFCE é uma das interfaces gráficas mais tradicionais e populares do mundo Linux. Ele se destaca por oferecer um equilíbrio interessante entre desempenho, personalização e familiaridade, especialmente para quem busca algo que funcione bem em máquinas mais antigas ou com recursos limitados, sem se sentir “ultrapassado” ou minimalista demais, ainda mais "aquela galera mais nova" que fica babando nos efeitos do GNOME ou nos brilhos do KDE.

    O maior problema do XFCE - se é que se pode dizer isso - é como ele é apresentado em distribuições que já venham com ele instalado. No Debian - que usa Gnome como padrão - por exemplo, ele pode vir assim:



e em outras distribuições normalmente vem mais incrementado, com temas, ícones, widgets e efeitos mais elaborados (dentro do possível) e que dá outro ar de sistema já que, quem vê o do Debian, com certeza vai achar feio pra caramba a despeito de ser plenamente funcional.

Leveza e performance


    Um dos pontos fortes do XFCE é sua leveza. Ele consome muito menos RAM e CPU do que ambientes mais pesados como GNOME ou KDE Plasma, o que o torna ideal para notebooks antigos, PCs modestos ou até mesmo para quem só quer gastar menos recursos com a interface e mais com aplicativos. Ainda assim, ao contrário de algumas interfaces minimalistas tipo LXDE e até o LXQt, o XFCE mantém recursos visuais e práticos que realmente fazem diferença: painel configurável, menu de aplicativos funcional, gerenciador de janelas decente com suporte a múltiplos monitores e, para quem gosta - como eu, lógico - papagaidas e firulas que não pesam no uso.

Modularidade e independência


    Diferente do GNOME, que exige várias dependências próprias e segue um ecossistema rígido, o XFCE é quase totalmente independente. Ele não precisa do GNOME nem do KDE para funcionar, embora possa integrar algumas ferramentas externas se você quiser. Isso significa que você não será obrigado a instalar dezenas de pacotes só para ter funcionalidades básicas, o que é ótimo para quem gosta de manter o sistema enxuto ou quer ter controle absoluto sobre o que entra no PC.

Personalização: simples, mas suficiente e com resultados que até surpreendem


    O XFCE não é tão “brilhante” quanto o KDE Plasma em termos de efeitos visuais, mas oferece uma personalização consistente e funcional. Você consegue trocar temas, ícones, ajustar painéis e menus e até adicionar plugins no painel e no menu de contexto do mouse sem precisar de gambiarras. A curva de aprendizado é suave: qualquer usuário que venha do Windows ou de outros Linux verá a interface familiar, com barra de tarefas, área de trabalho e menu clássico, mesmo que "feia" a princípio.

Recursos nativos


    Alguns destaques que mostram que o XFCE não é apenas “leve e feio” - dependendo do contexto funcional:

  • Thunar, um gerenciador de arquivos rápido, limpo e eficiente;
  • Painéis personalizáveis com suporte a múltiplos monitores;
  • Gerenciador de janelas Xfwm, que apesar de simples, oferece sombras, transparências e atalhos eficientes;
  • Suporte sólido a desktops virtuais e múltiplos workspaces.


Contras: onde o XFCE "faz feio"


Apesar de todos os pontos positivos, o XFCE também tem suas limitações:

  • Estética de "meio termo": mesmo com temas modernos, ele nunca vai parecer tão “polido” ou futurista quanto GNOME ou KDE;
  • Efeitos visuais limitados: transparências, animações ou composições complexas não são o forte do XFC;
  • Atualizações mais lentas: ele evolui lentamente, o que é bom para estabilidade, mas menos empolgante para quem gosta de novidades constantes;
  • Menos integração nativa: algumas funcionalidades modernas exigem ferramentas externas ou ajustes manuais.


XFCE x outros ambientes


    Se compararmos com Cinnamon, o XFCE é mais leve e modular mas menos visualmente moderno. Comparado ao LXQt, o XFCE é mais robusto e maduro, oferecendo mais recursos “de fábrica” sem sacrificar a performance. Em relação ao GNOME, o XFCE é claramente menos dependente e mais personalizável, mas perde nos efeitos e integração de apps GNOME mas roda sem problemas aplicativos do Gnome e KDE.

Para quem é o XFCE?


  • Usuários que valorizam desempenho e estabilidade ou querem experimentar outros ares;
  • Quem gosta de interfaces clássicas e funcionais e sem surpresas do tipo "ai caramba, fechou tudo!";
  • Computadores antigos ou sistemas que precisam ser enxutos e rápidos;
  • Usuários que querem controle total sobre as dependências do sistema.


    Em resumo, o XFCE é uma aposta segura para quem quer eficiência sem sacrifícios desnecessários. Ele não vai impressionar pelos efeitos ou modernidade visual (hummm, nesse aqui, sei não...), mas entrega uma experiência limpa, confiável, prática e até surpreendente, com baixa dependência de outros sistemas e ótimo suporte a múltiplos ambientes. É o tipo de interface que você instala e sabe que vai funcionar bem por anos, sem frescura, até você fizer alguma besteira. E o bom disso tudo é que os temas que se usa no Gnome (ou para o Gnome) podem ser usados no XFCE também, inclusive alguns deles costumam ser "xfwm-manager" compatíveis, com funcionalidades tipo blur e transparências que podem não ter em outros temas GTK2/GTK3.


    Seja como for, o XFCE pode ser uma ótima interface gráfica e quer experimentar outras opções sem ter que usar certas interfaces de que tão leves não oferecem quase nada de funcionalidades e ainda tem usuário que diz que "Linux tem que ser simples e funcional"; concordo mas dá pra fazer isso com estilo: quem tem Fusca ou Fiat 147 não quer ser atingido numa batida por outro Fusca e sim por uma Ferrai ou Porsche...


 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

LXQt - limitado mas realmente leve já que não finge ser

    Quando se fala em ambientes gráficos leves no Linux (leves de verdade e não que dizem ser), quase sempre o papo cai em três nomes: LXDE, XFCE e LXQt. O LXQt costuma ser o mais incompreendido deles - muitas vezes tratado como “LXDE moderno” ou "Plasma pra máquina perereca", quando na prática ele é outra coisa, com outras prioridades e outras concessões mas mantendo a funcionalidade desejada por quem "só quer usar o PC". Este texto é uma análise honesta do LXQt: como ele surgiu, como ele funciona por dentro, onde ele acerta e onde ele simplesmente não tenta (e não quer) competir.


A origem: quando o Qt venceu o GTK


    O LXQt nasce de um fato simples e inevitável: o LXDE não quis seguir o GTK3. O LXDE original era escrito em GTK2. Quando o GTK3 chegou, com mudanças profundas de API, dependências maiores e decisões que iam contra a filosofia de leveza extrema sem capar muito a funcionalidade, o projeto simplesmente travou. Ao mesmo tempo, o Razor-Qt, outro desktop leve baseado em Qt, enfrentava dificuldades semelhantes: enquanto o LXDE sofria por depender do GTK - que caminhava para mudanças profundas e pesadas (GTK3/GTK4), o Razor-Qt, pelo seu lado, enfrentava dificuldades semelhantes por depender do Qt, que ainda não estava maduro e estável o suficiente para sustentar um desktop completo e coeso. A solução foi pragmática (e rara no mundo Linux): unir dois projetos diferentes e reescrever tudo em Qt.

    Assim nasce o LXQt, oficialmente em 2014. Não é um fork do LXDE e nem é uma evolução direta: é uma reconstrução, com outra base, outro toolkit e outro público-alvo.

Arquitetura: LXQt não é um “desktop monolítico”


    Aqui está um ponto-chave que muita gente ignora. O LXQt não é um ambiente gráfico fechado como GNOME ou KDE. Ele é um conjunto de componentes independentes, amarrados por convenção:

  • lxqt-panel = painel;
  • pcmanfm-qt = gerenciador de arquivos e desktop;
  • lxqt-session = sessão;
  • lxqt-runner = launcher;
  • lxqt-config = centro de configurações;
  • Openbox / KWin / etc. = window manager externo.


    Nada disso é profundamente integrado e isso até pode trazer grandes vantagens mas também grandes limitações, essas detestáveis por quem espera mais de um ambiente gráfico mesmo sabendo das tais limitações - como eu.

Filosofia central: “não reinventar o sistema”


    O LXQt parte de uma decisão muito clara: “se já existe um padrão freedesktop, usamos. Se não existe, não inventamos.”. Isso explica muita coisa:

  • Sem APIs próprias de extensão (um saco isso);
  • Sem sistema de plugins avançados (outro saco);
  • Sem “scripts nativos” no gerenciador de arquivos (mais saco ainda);
  • Sem comportamento mágico no wallpaper, menus ou contexto (idem).


    O LXQt prefere arquivos .desktop, padrões XDG, chamadas diretas de sistema. Com isso se torna mais previsível, simples mas pouco flexível.

PCManFM-Qt: simples, rápido e limitado


    O PCManFM-Qt é o coração visual do LXQt. Ele faz três coisas:

  • Gerenciador de arquivos;
  • Desktop (ícones + wallpaper);
  • Integração com ações via padrão freedesktop.


    E é aqui que surgem várias frustrações para usuários mais avançados:

  • Não existe “Nautilus Scripts” ou formas diretas de integração de scripts;
  • Não há sistema de scripts detectados automaticamente.


Tudo precisa ser feito via pasta para ter as ações via menu de contexto:

~/.local/share/file-manager/actions/*.desktop

    Funciona? Sim; é elegante? Não muito.



Ações sem interface gráfica


    Não existe UI para criar ações de menu, tudo é manual, na unha. Isso é coerente com o projeto - mas "assusta" quem vem do KDE, Thunar ou Nautilus. Mas é só deixar de ser preguiçoso que aprende a dominar esse detalhe rapidinho: dá trabalho mas é gratificante quando se consegue fazer funcionar, hehehe.

Wallpaper: onde a filosofia cobra o preço


O caso do wallpaper é emblemático. No LXQt:

  • O pcmanfm-qt desenha o desktop;
  • Ele não reage bem a mudanças externas;
  • O modo (fit, crop, etc.) é global e cacheado;
  • A CLI não recalcula comportamento.


    Resultado prático:

  • Wallpaper via interface gráfica = funciona, só que tem mais "cliques" para chegar lá;
  • Wallpaper via script - comportamento inconsistente mas fica legal com o wallpaper na mesma resolução da tela;
  • Imagem fora da resolução da tela - resultados ruins.


    Ferramentas clássicas como feh ou nitrogen não funcionam se o desktop do PCManFM-Qt estiver ativo, só funcionam se você desligar o desktop. Isso não é bug acidental - é decisão arquitetural.

Configuração: minimalismo real e até meio exagerado


    O centro de configurações do LXQt é honesto:

  • Não esconde opções, é que não tem mesmo;
  • Não cria abstrações desnecessárias, já basta as eventuais decepções do usuário;
  • Não tenta “adivinhar” o usuário.


    Mas também:

  • Não oferece automações;
  • Não integra profundamente componentes;
  • Não resolve conflitos sozinho.


    Se você quer menus contextuais complexos, comportamento automático e decisões inteligentes baseadas em contexto, o LXQt não é esse desktop.

Desempenho: aí sim a bagaça é outro nível


    Onde o LXQt realmente entrega:

  • Consumo de RAM baixíssimo e menos serviços rodando;
  • Inicialização rápida por carregar menos coisas;
  • Nenhum serviço rodando sem motivo;
  • Excelente em máquinas antigas ou VMs.


    Ele é mais leve que KDE Plasma, mais moderno que LXDE e mais previsível que GNOME. Mas isso não significa que os programas que usa de outros ambientes não vão usar recursos, como Firefox, Gimp ou Libre Office.

    Prós (reais)

  • Extremamente leve;
  • Usa Qt (boa integração visual e funcional);
  • Modular;
  • Previsível (no sentido de sem muitas surpresas do tipo "caçamba! Bugou!");
  • Fácil de depurar;
  • Ideal para setups customizados, sejam pererecas ou não.


    Contras (assumidos)

  • Pouca automação;
  • Integração fraca entre componentes;
  • Gerenciamento de wallpaper ruim;
  • Scripts exigem trabalho manual;
  • Poucas “comodidades modernas”;
  • Depende muito do usuário saber o que está fazendo OU de querer aprender.


    Para quem o LXQt é ideal?

  • Usuários técnicos ou masoquistas;
  • Quem gosta de controle explícito ou é "do contra" do que vemos hoje com outras DEs;
  • Máquinas fracas;
  • Ambientes corporativos ou caseiros simples;
  • Quem prefere “padrão freedesktop” a efeitos e complexidade de filmes como Avatar.


    Para quem não é

  • Quem quer tudo pronto na boquinha;
  • Quem vem do KDE esperando o mesmo nível de integração;
  • Quem gosta de automações inteligentes (o tradicional "next, next, finish");
  • Quem quer UX polida sem ter que fazer ajustes.


Conclusão


    O LXQt não é um desktop incompleto e sim um desktop honesto, não promete o que não entrega e não tenta competir onde sabe que perderia. O preço dessa honestidade é claro: quando algo não funciona “sozinho”, não é bug - é escolha. Se isso é virtude ou defeito, depende muito mais do usuário do que do projeto.

 
    Se você como usuário quiser configurá-lo ao seu jeito, dependendo do que seja nem sempre vai ficar como no Gnome ou Plasma 6, nó máximo próximo disso nas funcionalidades básicas. E é para máquinas modestas com usuários sem muitas exigências OU usuários que querem experimentar outras interfaces pra se convencerem de que as que usam é ou não a melhor opção.