quinta-feira, 16 de julho de 2026

Alguns erros no som do Linux como ruídos, chiados, interrupções e como tentar corrigi-los

Tem uma postagem aqui mais antiga sobre como resolver alguns problemas de som que costumam ocorrer no Linux e nessa nova postagem vou acrescentar mais algumas situações, inclusive referente à chiadeira de microfones. Só lembrando que instabilidades decorrentes de drivers mal escritos ou processadores pouco potentes só podem ser remediados.

Desabilitar o "suspend" da placa de som

Por padrão o sistema costuma desabilitar a placa de som depois de certo tempo de ociosidade para economizar energia, principalmente em notebooks. Pode ocorrer de, numa dessas "desligadas", a placa "não volte" ou fique instável e que pode provocar atrasos e soluços no som. Sendo assim, temos duas coisas a serem feitas (pode fazer as duas):

Desligar a nível de kernel:

É um pouco radical, necessita de privilégios de administrador da máquina e pode não incluir dispositivos de som USB. Abra o Terminal e digite:

inxi -A

Deverá aparecer algo assim:

Audio:
  Device-1: Intel NM10/ICH7 Family High Definition Audio driver: snd_hda_intel
  API: ALSA v: k6.12.95+deb13-amd64 status: kernel-api
  Server-1: PipeWire v: 1.4.2 status: active
 

O que interessa pra gente é o que está aparecendo em verde (snd_hda_intel) que é o módulo de som padrão usado no sistema. Se aparecer o snd_usb_audio é por que a placa de som ou dispositivo usado (como um microfone) é usb, esse item é importante. No Terminal, digite:

sudo nano /etc/modprobe.d/audio_disable_powersave.conf 

Coloque dentro e salve com ctrl+o e feche com ctrl+x:

options snd_hda_intel power_save=0
options snd_hda_intel power_save_controller=N

Use onde está azul a opção de "snd" que apareceu no comando inxi -A dado anteriormente. Reinicie a máquina. 

Desligar a nível de servidor de som

Esse me parece ser o mais adequado pois inclui dispositivos USB na jogada além de não precisar ser administrador pois as mudanças são aplicadas a nível de usuário. Pra isso precisamos saber qual a versão do Wireplumber está em uso:

wireplumber --version

Deverá aparecer algo assim:

wireplumber
Compiled with libwireplumber 0.5.8
Linked with libwireplumber 0.5.8

Se a sua versão por acima da 0.5 como no exemplo acima, no Terminal digite os comandos:

mkdir -p ~/.config/wireplumber/wireplumber.conf.d
nano ~/.config/wireplumber/wireplumber.conf.d/disable-audio-suspend.conf

e coloque dentro: 

monitor.alsa.rules = [
  {
    matches = [
      {
        node.name = "~alsa_.*"
      }
    ]
    actions = {
      update-props = {
        session.suspend-timeout-seconds = 0
      }
    }
  }
]


Se o Wireplumber for abaixo de 0.5:

mkdir -p ~/.config/wireplumber/main.lua.d
nano ~/.config/wireplumber/main.lua.d/50-disable-suspend.lua


e coloque dentro: 

table.insert(alsa_monitor.rules, {
  matches = {
    {
      { "node.name", "matches", "alsa_.*" },
    },
  },
  apply_properties = {
    ["session.suspend-timeout-seconds"] = 0,
  },
}) 

Em ambos os exemplos, salve com ctrl+o e feche com ctrl+x. Reinicie a máquina. 

As configurações de som não são salvas 

Taí um negócio chato, você liga o PC e o som (microfone e áudio) não estão nos níveis que você deixou. Abra o Terminal e digite: 

sudo nano /etc/udev/rules.d/90-alsa-restore.rules

Coloque dentro:

ACTION=="add", SUBSYSTEM=="sound", KERNEL=="controlC*", KERNELS!="card*", TEST=="/usr/sbin", TEST=="/usr/share/alsa", GOTO="alsa_restore_go"
GOTO="alsa_restore_end"

LABEL="alsa_restore_go"

ENV{ALSA_CARD_NUMBER}="$attr{device/number}"

# mark HDA analog card; HDMI/DP card does not have capture devices
DRIVERS=="snd_hda_intel", TEST=="device/pcmC$env{ALSA_CARD_NUMBER}D0p", RUN+="/bin/sh -c 'echo ALSA_CARD_HDA_ANALOG=$env{ALSA_CARD_NUMBER} >> /run/udev/alsa-hda-analog-card'"

# check for ACP hardware
TEST=="device/device/acp3x-dmic-capture", GOTO="alsa_hda_analog"
TEST=="device/device/acp6x-dmic-capture", GOTO="alsa_hda_analog"
TEST=="device/device/acp63-dmic-capture", GOTO="alsa_hda_analog"
TEST=="device/device/acp-dmic-codec", GOTO="alsa_hda_analog"
GOTO="alsa_restore_std"

LABEL="alsa_hda_analog"
# restore configuration for profile with combined cards (HDA + digital mic)
TEST!="/run/udev/alsa-hda-analog-card", GOTO="alsa_restore_std"
IMPORT{program}="/usr/bin/cat /run/udev/alsa-hda-analog-card"
ENV{ALSA_CARD_HDA_ANALOG}!="", ENV{ALSA_CARD_NUMBER}="$env{ALSA_CARD_HDA_ANALOG}"

# ---> A CORREÇÃO FICA AQUI (Substituindo o "alsa_restore_go" duplicado)
LABEL="alsa_restore_std"
TEST!="/etc/alsa/state-daemon.conf", TEST=="/usr/sbin/alsactl", RUN+="/usr/sbin/alsactl -E HOME=/run/alsa -E XDG_RUNTIME_DIR=/run/alsa/runtime restore $env{ALSA_CARD_NUMBER}"
TEST=="/etc/alsa/state-daemon.conf", TEST=="/usr/sbin/alsactl", RUN+="/usr/sbin/alsactl -E HOME=/run/alsa -E XDG_RUNTIME_DIR=/run/alsa/runtime nrestore $env{ALSA_CARD_NUMBER}"

LABEL="alsa_restore_end" 

Salve com ctrl+o e feche com ctrl+x. Depois disso:

sudo udevadm control --reload-rules 

Ainda no Terminal, para complementar a restauração de áudio:

nano ~/.config/autostart/restaurar-audio.desktop

Coloque dentro:

 [Desktop Entry]
Type=Application
Name=Restaurar Volume Universal
Exec=alsactl restore
Hidden=false
NoDisplay=false
X-GNOME-Autostart-enabled=true
X-KDE-autostart-after=panel

Se o seu microfone fica também com essa de não voltar ao volume configurado:

nano ~/.config/autostart/travar-microfone.desktop 

Coloque dentro (configurando para 85% do volume total):

 [Desktop Entry]
Type=Application
Name=Fixar Volume do Microfone
Exec=amixer set Capture 85%
Hidden=false
NoDisplay=false
X-GNOME-Autostart-enabled=true

Salve com ctrl+o e feche com ctrl+x em ambos os exemplos. Agora basta colocar os níveis de acordo com a sua necessidade e reiniciar a máquina.

Tirando o chiado de gravações de microfones

Aqui vamos habilitar um recurso do Pipewire que é o filtro de ruídos para o microfone e que, usado em conjunto do filtro de ruídos do OBS-Studio deixa o som gravado do microfone limpinho; e pra quem não consegue usar o OBS na máquina, só esse filtro já tira 80% da chiadeira de fundo.

Usando o pipewire original 

No Terminal, digite:

mkdir -p ~/.config/pipewire

cp /usr/share/pipewire/pipewire.conf ~/.config/pipewire/

nano ~/.config/pipewire/pipewire.conf 

Procure pelo item:

context.objects = [
    #{ factory = <factory-name>
    #    ( args  = { <key> = <value> ... } )
    #    ( flags = [ ( nofail ) ] )
    #    ( condition = [ { <key> = <value> ... } ... ] ) 

 e coloque ANTES de "context.objects":

 { name = libpipewire-module-echo-cancel
  args = {

    capture.props = {
      node.name = "mic_capture"

      audio.channels = 1
      audio.position = [ MONO ]
    }

    source.props = {
      node.name = "mic_source"
      node.description = "Microfone Filtrado"

      audio.channels = 1
      audio.position = [ MONO ]
    }

    sink.props = {
      node.name = "audio_sink"
      node.description = "Saida Filtrada"
    }

    playback.props = {
      node.name = "audio_playback"
    }
  }
}
]

Deverá então ficar assim (a parte em azul já existe no arquivo e a parte verde é a nova, atenção aos colchetes!):

            }
        }
        flags = [ ifexists nofail ]
        condition = [ { module.jackdbus-detect = true } ]
    }

{ name = libpipewire-module-echo-cancel
  args = {

    capture.props = {
      node.name = "mic_capture"

      audio.channels = 1
      audio.position = [ MONO ]
    }

    source.props = {
      node.name = "mic_source"
      node.description = "Microfone Filtrado"

      audio.channels = 1
      audio.position = [ MONO ]
    }

    sink.props = {
      node.name = "audio_sink"
      node.description = "Saida Filtrada"
    }

    playback.props = {
      node.name = "audio_playback"
    }
  }
}

]

context.objects = [
    #{ factory = <factory-name>
    #    ( args  = { <key> = <value> ... } )
    #    ( flags = [ ( nofail ) ] )
    #    ( condition = [ { <key> = <value> ... } ... ] ) 
 

Novamente, atenção ao único colchete que vai mudar de lugar. No arquivo original a parte que vem antes do "context_objects" está assim:

            }
        }
        flags = [ ifexists nofail ]
        condition = [ { module.jackdbus-detect = true } ]
    } 

context.objects = [
    #{ factory = <factory-name>
    #    ( args  = { <key> = <value> ... } )
    #    ( flags = [ ( nofail ) ] )
    #    ( condition = [ { <key> = <value> ... } ... ] )
    #}

Esse colchete marcado em azul vai "sumir" para dar lugar ao conteúdo em verde e esse colchete vai para o final desse mesmo conteúdo em verde (olhe lá mais pra cima). Se isso não for feito a configuração não vai funcionar. Basta então reiniciar o sistema. Se não funcionar (ficar sem som) basta apagar o arquivo que está em ~./config/pipewire/. Se funcionou, abra o seu "Painel de Controle" e selecione lá na parte de som o "Microfone Filtrado" para a entrada de microfone. No Controle de Volume do XFCE seria algo assim (atenção às entrada e saída selecionadas):

Saída (áudio interno analógico):

 Entrada (dispositivo de entrada):


Com isso o seu som deverá voltar ao normal ou, pelo menos, ficar mais estável, principalmente com máquinas mais antigas.

domingo, 5 de julho de 2026

Instalando a versão mais nova do Auto Editor, corrigindo erros e exportação de timeline

Eu já publiquei aqui uma dica de como usar o Auto Editor, que é um programa de linha de comando no Linux para cortar trechos sem áudio de vídeos e depois juntar tudo ao final, muito útil para quem faz tutoriais de qualquer tipo e não quer passar pela chatice de ter que editar o vídeo cortando as passagens de pausas e de procura às vezes necessárias para dar consistência ao que está sendo gravado.

No Debian, a versão 25 funciona que é uma maravilha mas pode ocorrer de, ao final da edição pelo Auto Editor, ser "brindado" com frames pretos ao longo do vídeo por algum erro na concatenação das partes do vídeo uma vez terminada a tarefa de exclusão dos trechos com áudio em branco.

No Debian a versão disponível é justamente a 25 e é aqui que vamos ver como colocar a versão mais nova do Auto Editor e configurar as coisas para rodarem de forma lisa. Se você não tem o Auto Editor, vá nessa minha dica no Viva o Linux.

Primeiro, caso você não o tenha, instale o Auto Editor com o comando:

sudo apt install auto-editor
 
Isso vai instalar o programa mais as dependências necessárias. Depois, 
vá em nesse site e baixe a versão mais nova, que é a 31.1.2 na postagem dessa dica. Uma vez baixado, copie o arquivo baixado (auto-editor-linux-x86_64) para a pasta /usr/bin/:

sudo cp /caminho_do_arquivo_baixado/auto-editor-linux-x86_64 /usr/bin/auto-editor

Agora a versão 31.1 exporta o timeline para KDEnLive sem erros, além de manter as opções de ShotCut, Premiere, DaVinci Resolve e Final Cut Pro. Para exportar para o KDEnLive via linha de comando, estando na pasta do vídeo que se quer editar:

auto-editor arquivo_de_vídeo.mkv ou .mp4 --margin 0.30s --export kdenlive

Para fazer algo mais "funcional" em vez de exportar, deixando o próprio Auto Editor criar o arquivo final editado:

auto-editor arquivo_de_vídeo.mkv ou .mp4 --margin 0.30s -crf 32 -b:a 128K -preset medium

O comando de exportação cria então o arquivo .mlt para ser aberto do ShotCut e .kdenlive para ser aberto no KdenLive. Outras opções de exportação e parâmetros de configuração (como margin) podem ser vistas usando o "--help" para mais informações. Assista ao vídeo abaixo e leia a dica citada mais acima (que tem um vídeo explicativo também) para ver como implementar as opções de menu de contexto do seu ambiente gráfico.

 


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gamemode, o "viagra" para quem quer um aumento de performance temporário para jogos e programas

O Gamemode é um script criado pela empresa Feral Interactive para seus jogos portados para Linux e depois liberaram para que terceiros ou outras ferramentas pudessem desenvolvê-lo/usá-lo. E não só para jogos, qualquer programa de uso mais pesado pode se beneficiar do Gamemode. Funciona? Sim, até certo ponto. O que o Gamemode faz?

  1. Ativa o modo performance do governor do processador: Permite que o processador "acorde" e entregue mais velocidade de processamento (processadores mais antigos) e que não comprometa a integridade elétrica e térmica do mesmo (mais novos);
  2. Muda a prioridade de processos: A prioridade dos processos (criação, execução, finalização e gerenciamento) em relação ao programa/jogo "turbinado" é colocado em primeiro lugar em relação aos outros processos em segundo plano;
  3. Aplicação de perfis de performance em placas de vídeo: Se o sistema permitir, é possível aplicar modos de performance em placas de vídeo como nVidia;
  4. Desabilita "frescuras de desktop": Pode também desabilitar compositores do desktop, tela de login, screensaver ou outra funcionalidade que possa atrapalhar o uso da máquina, principalmente quando se usa joystick e o teclado e mouse ficam sem uso.
O gamemode é ativado por demanda, ou seja, você precisa especificar o programa ou jogo para ele poder ser executado. Assim, para executar um programa ou jogo deve-se digitar (exemplo com o Gimp):

gamemoderun gimp

Para ver se o gamemode está rodando algo:

gamemoded -s

Para saber os PIDs que estão rodando via Gamemode:

grep -l "libgamemode" /proc/*/maps 2>/dev/null | cut -d'/' -f3 | xargs ps -o pid,comm -p | grep -v "PID COMMAND"

Para instalá-lo:

sudo apt install gamemode

Se utilizar o Synaptic, instale também o widget para Gnome Shell e Plasma, conforme imagem abaixo:
 

Os jogos da Steam costumam detectar se o daemon do gamemode está rodando; nesse caso, o próprio jogo se encarrega de habilitar esse "modo viagra" para poder ter mais fluidez de uso.

Atenção que isso não é um overclock, o Gamemode apenas ativa partes do sistema (hardware/software) que em instalações normais não estão.

E não rode mais de um jogo e/ou programa ao mesmo tempo pois isso tira a premissa original de fazer com que a atenção do sistema seja dada a apenas uma tarefa. Habilitando o Gamemode para mais de uma aplicação, a atenção para essas aplicações (jogo ou programa) até vai funcionar mas elas vão dividir a atenção do Gamemode.
 
E também o Gamemode só será "sentido de verdade" se a máquina do usuário já não estiver com alguma configuração de otimização ativa, como o uso de kernels customizados (XanMod, Liquorix, etc) que já tem por padrão o governor de processador ativado em performance, que é a principal mudança que o gamemode faz no sistema. 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Habilitando o modo "performance" do processador no Debian

Há vários kernels customizados para serem instalados e alguns dos mais famosos são o Zen, Liquorix e XanMod, cada um deles com otimizações mais agressivas do que o chamado kernel stock que as distribuições decidem usar nos seus lançamentos. E, realmente, instalando-os em uma máquina com uma distribuição padrão, pode-se mesmo conseguir uma performance superior em relação ao kernel original, como nos exemplos abaixo.

Kernel "normal" do Debian x Kernel XanMod

Kernel "performance" no Debian x Kernel XanMod

O "grande segredo" desses kernels customizados é simplesmente a mudança do governor usado no processador que, na maioria das vezes, está em modo "schedutil"; mesmo que haja outras configurações mais agressivas de gerenciamento de memória e de processos, a principal mudança é realmente do governor.
O governor é o modo como o processador - junto do kernel/sistema - gerencia a velocidade da frequência de operação, que tem nos processadores de hoje a definição de "clock base", aquele em que o processador trabalha com as demandas de processamento dentro das especificações técnicas de dissipação e energia no clock base medidos na fábrica. Se durante o uso o processador "notar" que há margem para dar mais desempenho ele entra no "modo boost", elevando o clock, uso de energia e de dissipação de calor dentro do suportável pelo processador sem que ele pegue fogo. Isso não é overclock já que o mesmo não está sendo forçado a funcionar acima de suas capacidades.

Os modos dos governors são:

  1. Performance: deixa o processador o tempo todo no clock máximo (processadores mais antigos) ou clock base (mais novos);
  2. Schedutil: o padrão, quem controla o clock é o kernel junto do processador;
  3. Powersave: o modo de economia de energia no clock mínimo e que não sobe muito mais mesmo tendo margem para isso, muito usado em notebooks.
Uma máquina já em modo governor performance basicamente não terá tanta melhora do que uma máquina sem o recurso habilitado, o problema é que os kernels customizados costumam estar bem acima da linha adotada de versão de kernel pela distribuição e isso pode fazer com que periféricos parem de funcionar adequadamente e que antes funcionavam.

É possível verificar a condição do governor usando o comando abaixo:

[cmd] echo "performance" | sudo tee /sys/devices/system/cpu/cpu*/cpufreq/scaling_governor [/cmd] Irá aparecer o governor ativo junto do número de núcleos da sua máquina.

Podemos então fazer com que o modo performance seja ativado (ou escolhido) conforme a necessidade do usuário sem precisar usar um kernel customizado. Para fazer isso, abra o Terminal e vamos criar o serviço cpufreq.service:

sudo nano /etc/systemd/system/cpufreq.service

Coloque dentro e depois salve com CTRL+O e feche com CTRL+X:

[Unit] Description=Configurando o CPU governor para performance After=multi-user.target [Service] Type=oneshot ExecStart=/bin/sh -c 'for cpu in /sys/devices/system/cpu/cpu*/cpufreq/scaling_governor; do echo performance > "$cpu"; done' RemainAfterExit=yes [Install] WantedBy=multi-user.target

E depois:

sudo systemctl daemon reload sudo systemctl enable cpufreq.service sudo systemctl start cpufreq.service

Se você tiver algum gadget de monitoramento (como o Conky) verá a frequência do processador de variável mudar para uma fixa mais alta e ali permanecer, com a diferença de que nos processadores antigos fica no máximo (a estampada no IHL do processador) e nos mais novos com a tecnologia que vou citar mais a frente vai mudar da mais alta do clock base para a frequência de operação em modo boost do processador. Só lembrando que tanto o modo EIST (Enhanced Intel SpeedStep Technology da Intel para processadores mais antigos ou o equivalente para AMD) quanto o Turbo Boost e Precision Boost (Intel e AMD) e suas variantes precisam estar ativos na bios da placa-mãe.

É claro que podemos ativar outros modos de governor; de repente o usuário quer botar o modo schedutil em um notebook que funciona em modo powersave para dar mais rapidez à máquina. Para isso basta ir no arquivo cpufreq.service mudar o que está em negrito para o estado que se quer que o sistema trabalhe - performance, schedutil ou powersave.

Também tenha em mente que sair do modo schedutil "padrão" para o performance aumenta o consumo de energia mas essa mudança deixa a máquina mais "esperta" nos momentos de demanda de processamento pois não há atraso no aumento da frequência de operação do processador.

E atenção que não estou com esse artigo querendo desmerecer o trabalho de quem se presta a manter esses kernels alternativos, mesmo porque se eles realmente não melhorassem algo no sistema esse pessoal não perderia tempo com o desenvolvimento e manutenção deles.



segunda-feira, 25 de maio de 2026

A instalação de vários kernels na mesma máquina e a escolha do mais adequado

Uma coisa interessante no Linux é a possibilidade de termos instalados vários kernels e escolher qual vai entrar no boot da máquina. Essa opção é interessante pois nem sempre o kernel stock da distribuição é a mais adequado na máquina em que está instalado, principalmente se estivermos falando em PCs antigos.

Não é raro ocorrer que kernel mais novo implique em nenhuma melhora, podendo ocorrer até uma piora de desempenho da máquina visto que cada combinação de hardware se comporta de modo diferente em diferentes kernels utilizados. Isso é devido às mudanças de parâmetros de funcionamento como governors e schedulers de processador, I/O de memória e disco, mitigações e outros recursos que podem impactar (ou não) o processamento, consumo de energia, latência, responsividade e outros detalhes no funcionamento geral da máquina.

Veja que esse tipo de procedimento normalmente é feito por quem adora testar as coisas, do tipo tirar água de pedra em hardware limitado. A maioria dos usuários usa mesmo o que a distribuição oferece e muitas vezes nem se dão conta desses detalhes, já que o pessoal só quer usar suas máquinas sem muita encheção de saco. Aqui vou usar como base o Debian Trixie, onde vou instalar o último kernel válido do BookWorm e o "novo" kernel da série 7 que existe nos repositórios backports.

Colocando o último kernel do BookWorm

 

Criando o arquivo bookworm-kernel.list e colocando a linha deb no arquivo. Salve e feche com CTRL+O e CTRL+X:

sudo nano /etc/apt/sources.list.d/bookworm-kernel.list deb http://deb.debian.org/debian bookworm main sudo apt update sudo apt install linux-image-6.1.0-47-amd64

Colocando o kernel série 7 no Trixie

 

Editando o arquivo /etc/apt/sources.list e colocando a linha deb no arquivo. Salve e feche com CTRL+O e CTRL+X:

sudo nano /etc/apt/sources.list deb http://deb.debian.org/debian trixie-backports main contrib non-free-firmware sudo apt update sudo apt install linux-image-7.0.7+deb13-amd64

Dessa forma a sua máquina deverá ter os dois kernels normalmente presentes no sistema mais esses dois ou um deles, caso você só escolha instalar um deles. Minha máquina tem os seguintes kernels:

dpkg --list | grep '^ii' | grep linux-image

linux-image-6.1.0-47-amd64 6.1.170-3 Linux 6.1 for 64-bit PCs (signed) linux-image-6.12.90+deb13-amd64 6.12.90-1 Linux 6.12 for 64-bit PCs (signed) linux-image-7.0.7+deb13-amd64 7.0.7-1~bpo13+1 Linux 7.0.7 for 64-bit PCs linux-image-amd64 6.12.90-1 Linux for 64-bit PCs (meta-package)

Assim o usuário mais "mexedor" pode experimentar os kernels disponíveis e escolher o que lhe parecer mais adequado no uso do dia a dia. Na minha máquina perereca (e em outras que testei) o kernel 7 aparentemente resolveu de vez um certo problema de som instável que eu tinha na minha máquina, que usa hardware de 2009 e que me incomodava por fazer vídeos de tutoriais e configurações para o meu canal.

Se você tem um desktop "normal", procure instalar os kernels "signed"; se faz compilação, não esqueça dos headers do kernel instalado.



sexta-feira, 22 de maio de 2026

O auto-editor é um programa de linha de comando que tira, de forma automática, os espaços em branco do áudio de um vídeo e o entrega já editado e pronto para visualização.
Por uma questão que não sei dizer - talvez devido a problemas com máquinas pererecas ou o modo como o auto-editor lida com a edição, uma vez que o vídeo original pode ser editado/visualizado sem problemas - o resultado pode ser vídeos com a tela piscando por alguma inabilidade do próprio programa em renderizar de forma correta o fluxo de áudio e vídeo. Levando em conta isso e também a necessidade do usuário dele mesmo querer botar frescurinhas em suas produções, aqui vou mostrar como usar o auto-editor para exportar a timeline para poder ser aberta em outros editores.

Para instalar o auto-editor e o ShotCut:

sudo apt install auto-editor shotcut

O comando básico de conversão e que pode dar problema seria:

auto-editor vídeo-a-ser-editado --margin 0.30s

O valor de --margin 0.30s pode ser experimentado entre 0.20s e 0.50s pois é o espaço de tempo de "fim de fala e começo de outra" que o programa mede para fazer os cortes. O programa vai analisar o vídeo, separar o áudio e depois fazer os cortes e juntar tudo depois em um arquivo final. Se for um vídeo simples sem muitas pretensões ele já pode ser distribuído para visualização; se der algum problema como os já falados flickers na tela, podemos exportar o trabalho para editar em um editor de vídeo. Ele exporta para:
  • default => conversão padrão mostrada acima
  • premiere => Adobe Premiere
  • resolve-fcp7 => DaVinci Resolve
  • final-cut-pro => Final Cut Pro
  • resolve
  • shotcut => ShotCut
  • json
  • timeline
  • audio => só o áudio já editado
  • clip-sequence => uma sequência de vídeos já sem as pausas de um mesmo vídeo
Então, para exportar para o Final Cut Pro:

auto-editor vídeo-a-ser-editado --margin 0.30s --export final-cut-pro

Será criado um arquivo (o comando deve ser dado onde está o arquivo a ser editado) que poderá ser aberto para ser editado no Final Cut Pro, já com a timeline pronta e bastando ao usuário só dar os toques finais.

Para o ShotCut:

auto-editor vídeo-a-ser-editado --margin 0.30s --export shotcut

O arquivo criado é um mlt que pode ser aberto e editado no ShotCut já com a timeline carregada.

Não consegui fazer a bagaça funcionar no KDEnLive, o programa até tenta abrir mas trava a máquina toda. Mas não tem porque chiar porque o programa avisa (como mostrado mais acima) os formatos que exporta mas a gente tem que tentar, vai que...



terça-feira, 19 de maio de 2026

Instalando as partes faltantes do Plasma 6 quando se usa a instalação mínima

Nessa dica (https://www.vivaolinux.com.br/dica/Trazendo-de-volta-o-Servios-em-Segundo-Plano-no-Plasma6) mostrei como trazer de volta o Gerenciador de Serviços em Segundo Plano que havia no Plasma 5 direto na opção de Configurações e que foi "escondido" no Plasma 6. Agora vou mostrar como colocar certas opções de funcionalidades que parece que o sistema de instalação "esquece" de colocar.

  • Controle de Volume

As versões mais novas não costumam usar o KMix e o usuário pode ficar "meio sem" o botão de volume a não ser via widget como o "Área de Notificação". Instale o pacote "plasma-pa" para você ter o controle integrado de volume com e sem widget:

$ sudo pacman -S plasma-pa (Arch e "agregados");
$ sudo apt install plasma-pa (Debian e "agregados").

  • plasma-firewall

É um pacote que insere no Configurações uma opção de controle de firewall. Uma vez instalado, basta instalar um firewall qualquer para ter acesso e controle da opção. Para instalar o item mais um firewall:

$ sudo pacman -S plasma-firewall firewalld
$ sudo apt install plasma-firewall firewalld

  • sddm-kcm
Linux: Instalando partes faltantes do Plama 6
É a opção no Configurações de você gerenciar o SDDM (login gráfico) do seu Plasma 6.

$ sudo pacman -S sddm-kcm
$ sudo apt install sddm-kcm

  • kscreen
Linux: Instalando partes faltantes do Plama 6
É a opção de controle de resolução de vídeo do seu sistema. Sem ele basicamente não tem como diretamente acessar as várias resoluções disponíveis na sua máquina e alternar entre elas de forma prática.

$ sudo pacman -S kscreen
$ sudo apt install kscreen

Basicamente esses são as opções que vem no Plasma 5 (pelo menos até onde posso lembrar) e que não costumam vir no Plasma 6.