sábado, 31 de janeiro de 2026

Cinnamon seria a aposta acertada frente às outras interfaces gráficas mais populares?

    Entre o minimalismo forçado do GNOME e o poder quase excessivo do KDE Plasma, existe um ambiente gráfico que costuma passar meio despercebido mas que talvez seja o mais sensato de todos: o Cinnamon. Criado pelo time do Linux Mint, o Cinnamon nunca tentou reinventar o desktop e talvez seja exatamente por isso que ele funciona tão bem.

O Cinnamon não quer te educar — só quer trabalhar


    Diferente do GNOME, o Cinnamon não parte da premissa de que o usuário é incapaz de lidar com opções, mesmo que a tendência seja essa, hehehe. E diferente do KDE, ele também não assume que todo mundo quer passar a tarde inteira configurando cada pixel da interface. A filosofia é simples: desktop clássico, comportamento previsível e zero frescura, ou seja, chato por não dar trabalho...

  • Menu de aplicativos? Lá;
  • Área de notificação? Funciona;
  • Botão de minimizar? Presente;
  • Painel inferior? Como sempre foi;
  • Extensões e widgets pra encher de firulas? Claro.


    Nada aqui tenta te surpreender. E isso, em 2026, já é quase um ato revolucionário frente o que vemos estar acontecendo com outras interfaces gráficas.

A “xupada” descarada do GNOME - e ainda bem por isso


    Vamos ser honestos, o Cinnamon é uma "xupada" (com todo o respeito, claro) na cara dura do GNOME Shell (mais ou menos como ocorre com as distribuições "baseadas"), só que feita por gente que aparentemente usa computador. Ele usa:

  • GTK;
  • Mutter (via Muffin);
  • boa parte da stack o GNOME.


    Mas faz algo que o GNOME se recusa, que é manter o paradigma clássico de desktop. É como se o time do Mint tivesse olhado pro GNOME e dito: “legal, mas não vamos jogar 20 anos de UX no lixo”. Resultado:

  • base tecnológica moderna;
  • interface familiar;
  • sem ruptura forçada de workflow.


Nemo: o herói silencioso.


    Um dos maiores acertos do Cinnamon é o Nemo, o gerenciador de arquivos. Enquanto o Nautilus foi sendo simplificado, capado e infantilizado, o Nemo manteve as opções avançadas, ações personalizadas, scripts e um layout funcional. Ele faz exatamente o que um file manager deve fazer: gerenciar arquivos, não ensinar filosofia de design. Está longe de dizermos (como a Chiquinha do Chaves) "nossa, mas que beleza de gerenciador de arquivos" mas é menos retardado que o Nautilus, o qual serviu de base e depois seguiu um caminho próprio de desenvolvimento pelo pessoal do Mint.

Prós do Cinnamon (onde ele realmente brilha)


  • Interface clássica e coerente;
  • Nada some do nada, nada muda sem motivo funcional;
  • você atualiza o sistema e continua sabendo usar o desktop.
  • estabilidade acima da média.


    O Cinnamon não vive quebrando extensões a cada update porque não depende de gambiarra, os recursos são nativos e entrega uma boa performance. Não é o mais leve do mundo, mas consome menos que GNOME, é previsível, roda bem em hardware médio e, com uma configuração suficiente (sem exagero), você consegue:

  • mudar painel;
  • ajustar temas;
  • configurar atalhos;
  • personalizar comportamento.


    Tudo isso sem virar administrador de UI, fazendo-o ideal para distros de ciclo fixo - como o Debian - onde previsibilidade importa mais que novidade semanal.

Contras do Cinnamon (porque nada é perfeito)


  • evolução lenta - O Cinnamon é conservador, às vezes até demais;
  • novidades chegam devagar;
  • raramente há impactos como “nossa mas que maravilha!”.


    Isso é ótimo pra estabilidade mas pode parecer estagnação. Por exemplo, o Wayland ainda é uma novela por herdar muito do GNOME, então:

  • ainda é essencialmente X11;
  • Wayland existe mais como promessa do que realidade;
  • Não é culpa exclusiva dele, mas pesa.

    Mas não chega a ser algo tão desastroso pois há muitos usuários com computadores pererecas - como eu - que dependem de um ambiente gráfico X11 para poder usar suas máquinas, como captura de tela usando ffmpeg. 

Menos flexível que o KDE


    Se você gosta de:

  • personalização extrema;
  • layouts malucos;
  • comportamentos altamente customizados.


o Cinnamon pode parecer limitado mas essa limitação só é percebida se o usuário já experimentou outras interfaces gráficas por um tempo e tem uma base de comparação para diferenciar funcionalidades.

Vive à sombra do GNOME


    Mesmo sendo melhor em vários aspectos práticos, o Cinnamon:

  • depende do ecossistema GNOME;
  • sofre quando o GNOME muda algo radicalmente;
  • é sempre visto como “derivado”, nunca protagonista.


    Os 3 parâmetros acima se encaixam certinhos também nas distribuições baseadas que não tem desenvolvimento próprio, não?

Cinnamon vs GNOME vs KDE: onde ele se encaixa?


  • GNOME: visão única, UX opinativa, poucas opções, configurações escondidas de propósito;
  • KDE: liberdade total, poder absurdo, complexidade real;
  • Cinnamon: equilíbrio, previsibilidade, sanidade mental, sem muita encheção de saco.


    O Cinnamon não tenta ser o futuro do desktop, ele tenta ser um bom desktop hoje.

E para quem o Cinnamon é a escolha certa?


    Cinnamon é ideal se você:

  • quer trabalhar e diversão, não discutir UX;
  • prefere desktop clássico em vez de cheio de firulas;
  • odeia extensões quebrando ou recursos que são ocultados de propósito;
  • não quer aprender um novo paradigma;
  • usa notebook ou desktop “normal”;
  • valoriza estabilidade acima da papagaiada visual de hoje em dia.


    Ou seja: usuários reais.

    Conclusão: o Cinnamon é boring e isso é um elogio. Boring não no sentido de ser chato mas no sentido de ser aquele juiz de partida de futebol que apita tão bem que ninguém nota que ele está lá. Por isso o maior mérito do Cinnamon é não tentar provar nada pois ele não quer converter usuários, não quer ser revolucionário e nem aparecer no Fantástico: ele só quer que você ligue o computador, faça o que precisa e desligue. Num cenário onde o GNOME remove, o KDE exagera e todo mundo quer reinventar a roda, o Cinnamon faz algo quase subversivo: funciona. E talvez, no fim das contas, essa seja mesmo a aposta mais acertada.

    E é claro que não posso deixar de dar a minha opinião pessoal. O Cinnamon é uma interface gráfica mediana que entrega o que se propõe mas não agrada muito os usuários que tem mais vivência no Linux com uso extenso de outras interfaces gráficas. Para mim - no MEU contexto de uso dos MEUS desktops - é uma interface incompleta mas que não deixa a desejar àqueles que procuram uma interface que lhes proporcionem usar o computador e não "esquentar a cabeça usando o computador".

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

KDE Plasma: liberdade, poder e algumas mancadas no caminho

    Durante muito tempo, o KDE foi tratado como o “patinho feio” dos desktops Linux. Pesado, bugado, cheio de opções inúteis pelo menos essa era a fama e com usuários até hoje falando que "não precisa de tudo isso". Só que o tempo passou, o projeto amadureceu, e hoje a situação se inverteu de forma quase irônica: o KDE Plasma virou o refúgio de quem quer controle, enquanto outros ambientes parecem cada vez mais decididos a dizer ao usuário como ele deve usar o computador.
 
     Mas calma. O KDE não é perfeito, longe disso. A grande vantagem do KDE: ele respeita o usuário: o maior mérito do KDE Plasma é simples de resumir: ele não parte do princípio de que o usuário é burro, mesmo que seja, hehehe. O usuário quer:
  • mudar o comportamento da janela?
  • alterar atalhos?
  • ajustar animações?
  • trocar compositor?
  • customizar painel, menu, tema, borda, fonte, sombra, transparência?
     O KDE responde: “Beleza, tá aqui.”; enquanto outros ambientes escondem opções, removem funcionalidades ou simplesmente dizem “não”, o KDE mantém uma filosofia clara: a bagaça do sistema é seu, não nosso.

    Isso é ouro para usuários intermediários e avançados, e também para quem vem do Windows e não quer reaprender a usar um computador do zero. Plasma não é só bonito, é funcional mas o ponto mais importante é que a estética não sacrifica produtividade:
  • Painel configurável de verdade;
  • System tray completo;
  • Janelas com controles previsíveis;
  • Comportamento clássico disponível sem gambiarra.
    Você pode usar o KDE como:
  • um desktop tradicional;
  • algo parecido com Windows;
  • algo parecido com macOS;
  • ou uma aberração linda criada por você mesmo.
    E tudo isso sem extensões frágeis, sem hacks malucos, sem rezar pra próxima atualização não quebrar tudo. E ainda dá a liberdade para o usuário colocar as extensões que achar mais conveniente que não estejam presentes nativamente no sistema.


KDE e Wayland: tropeçando mas andando


    Aqui entra a parte das mancadas. O KDE demorou e ainda demora pra acertar 100% no Wayland. Melhorou muito nos últimos anos, especialmente no Plasma 6, mas ainda há:
  • bugs esquisitos;
  • comportamento inconsistente com apps X11;
  • drivers que se comportam melhor no Xorg;
  • recursos que funcionam “quase sempre”.
    A diferença é que o KDE não finge que o problema não existe. O Xorg continua sendo uma opção clara, funcional e suportada, sem aquele papo de “use por sua conta e risco”, coisa que o Gnome 49, por exemplo, abandonou em prol do uso único do Wayland. Aí, nesse caso, usuários que precisam do X11 para usar em máquinas mais antigas - como eu - vai pro espaço e o jeito é usar interfaces gráficas com suporte ao X11 e que o KDE suporta.

Atualizações: liberdade demais também cobra preço


Outro ponto fraco do KDE é que ele escala muito mal em distros Rolling Release mal cuidadas. Como o Plasma evolui rápido, em distros RR você pode pegar:
  • regressões;
  • bugs visuais;
  • configurações que se perdem;
  • comportamento estranho após updates grandes.
    Um ponto que ilustra exatamente isso é a versão mais atualizada do Plasma 6 em distribuições RR como o Arch, onde a interface simplesmente força o usuário a ter uma máquina que tenha suporte ao OpenGL mais novo se quiser manter certos recursos - algo acima do 3.3 - e que não pode ser dado por máquinas mais antigas devido às limitações de drivers. Na versão usada no Debian isso ainda não acontece.


    Não é exatamente culpa do KDE - é o preço de um projeto grande, modular e em constante evolução. Em distros de ciclo fixo ou LTS, o Plasma costuma ser muito mais sólido - novamente, como exemplo o Gnome.

Configuração demais pode virar bagunça


    Aqui vai uma crítica justa: o KDE não se ajuda em alguns momentos:
  • Configurações duplicadas;
  • Nomes confusos;
  • Opções que afetam coisas parecidas em lugares diferentes;
  • E até a retirada de itens - pois é - como o Serviços do KDE (KDED) mas pode ser instalado.


    Para usuários novos, isso pode parecer um caos e para usuários experientes, é só mais uma tarde ajustando tudo mas, uma vez ajustado, é só "esquecer". O KDE confia tanto no usuário que às vezes esquece de guiar melhor quem está chegando.

KDE vs outros desktops: a escolha ideológica


    Hoje, escolher KDE não é só uma escolha técnica, é quase ideológica:
  • Você prefere liberdade ou opinião imposta?
  • Quer adaptar o sistema ao seu fluxo ou adaptar seu fluxo ao sistema?
  • Quer escolher ou aceitar o que decidiram por você?
    O KDE claramente escolheu o primeiro caminho, com todos os riscos que isso traz. Conclusão: o KDE não é perfeito - e ainda bem pois o KDE Plasma:
  • não tenta ser minimalista à força;
  • não trata o usuário como criança;
  • não remove recursos “porque sim” MAS, caso removido, o recurso pode ser recuperado.
    Ele erra, quebra às vezes, exagera nas opções e tropeça no Wayland mas erra tentando dar poder, não tirando. E talvez seja por isso que, enquanto outros ambientes perdem usuários, o KDE continua sendo escolhido por quem quer um desktop que funcione do seu jeito, e não do jeito que alguém decidiu numa reunião.

    O KDE ainda tem umas coisas que o usuário precisa mas continuam enrolando em implementar: o Quick Preview aos moldes do Sushi no Gnome. O recurso até existe mas não é "selecionar e apertar espaço", tem que abrir o Dolphin, abrir um painel lateral com F11 e é algo que tem que ficar permanente se quiser sempre utilizar o recurso mas perde espaço no desktop e isso é muito chato em notebooks, por exemplo.



    Seja como for, o KDE está "muitíssimo" satisfatório, entrega um ótimo desempenho com tudo que pode oferecer sem pesar o sistema, diferente de outras interfaces gráficas que, para serem leves, tiram recursos que os desenvolvedores acham que "não são necessários" e capam a usabilidade do sistema.

O Gnome está se tornando ex-esposa - não quer que o usuário seja feliz

    Durante muito tempo, o GNOME foi sinônimo de modernidade no desktop Linux. Teve papel fundamental na transição para interfaces mais limpas, impulsionou o GTK, influenciou outros ambientes de desktop (DE) e ajudou a popularizar o Linux para além do nicho hardcore, onde só era "linuxeiro de verdade" quando não se usava interface gráfica (grande filosofia essa, hehehe). Mas algo mudou e não foi para melhor.


    Hoje, o GNOME parece cada vez mais aquele projeto que não quer apenas propor um caminho, mas impor um. E quando o usuário discorda, a resposta não é “ok, faça diferente”, e sim: “então o problema é você”. O resultado? Usuários experientes migrando silenciosamente (ou "barulhentamente", como eu) para outras interfaces, enquanto o GNOME segue convencido de que está certo mesmo quando todo o ecossistema aponta o contrário.
 

1. Quando “decisão de design” (ou "preguiça de implementação") vira birra

   
 Todo projeto precisa de decisões fortes. O problema começa quando decisão vira dogma e vemos esse tipo de coisa ocorrer também em distribuições menos usadas justamente por não quererem seguir tendências funcionais em prol de manter a filosofia e não evoluí-la. O melhor exemplo atual é o FileChooser do GNOME (Abrir / Salvar / Salvar como):
  • ícones pequenos;
  • sem zoom;
  • sem slider;
  • sem atalho;
  • sem opção avançada;
  • sem configuração escondida;
  • sem extensão possível.
    Isso não é é limitação técnica pois o Windows, macOS, Android e KDE/QT tem isso e o GNOME responde há anos com “não é necessário”, “decisão de design”, won’t fix” e outras coisas que tiram o tesão de quem usa. Quando o usuário pede opção (e não mudança de padrão), a resposta continua sendo não. Isso não é minimalismo, é teimosia institucional.

2. O problema não é simplicidade, é controle

    
 O GNOME (e algumas distribuições de Linux) gosta de se vender como “simples”. Mas simplicidade não significa tirar controle básico. A interpretação de "simplicidade" real seria:
  • menos passos;
  • menos ruído;
  • escolhas bem pensadas.
Simplicidade "simulada" ou ("empurrada"):
  • remover funções essenciais;
  • esconder recursos óbvios;
  • tratar usuário como incapaz.
    No GNOME atual, a lógica é “se você precisa disso, você não é o usuário-alvo”; cadê aquela história universal de "escolha" e "liberdade" que o Linux sempre listou como pilares de usabilidade? O ambiente desktop deveria seguir também os mesmos princípios, ainda mais quando ajudou a alavancar o uso de Linux mundo afora. O problema é que cada vez mais gente precisa disso, ou seja, de recursos que podem ou que deveriam existir, ainda mais se existem em outras interfaces gráficas.

3. Incompatibilidade forçada com o resto do desktop Linux

     
O Linux moderno finalmente criou um caminho elegante de integração entre toolkits e ambientes gráficos, que é o xdg-desktop-portal e o KDE, por exemplo, adotou isso de forma exemplar:
  • apps GTK, Qt, Electron;
  • file dialog consistente;
  • preview;
  • zoom;
  • comportamento previsível.
    O GNOME, por outro lado:
  • mantém o FileChooser como identidade própria;
  • permite que apps ignorem o portal;
  • dificulta integração fora da “bolha GNOME”.
Resultado:
  • usuários de KDE sofrem com apps GTK;
  • apps como Firefox e GIMP ficam inconsistentes;
  • o desktop vira um mosaico de UX quebrada.
Isso não é colaboração. É territorialismo.

4. Firefox e GIMP: exemplos de aliados involuntários do caos

   
 O Firefox é um caso emblemático:
  • em alguns diálogos usa portal;
  • em outros ignora completamente;
  • “Salvar imagem” continua preso ao GTK FileChooser ruim.
    O GIMP segue o mesmo caminho:
  • GTK3;
  • file chooser legado;
  • resistência a mudanças estruturais.
    Enquanto isso, browsers baseados em Chromium (Brave, Chrome) respeitam o portal e funcionam melhor no Plasma do que o próprio Firefox. Quando até concorrentes diretos integram melhor, o problema deixa de ser técnico e vira filosófico.

5. Flatpak: a solução errada para um problema criado

  
  O Flatpak resolve? Até resolve mas a que custo?
  • runtimes gigantes;
  • atualizações constantes;
  • consumo absurdo de dados;
  • duplicação de bibliotecas;
  • quebra da filosofia de sistemas enxutos (especialmente no Debian).
    Por conta dessas características uma distribuição de lançamento fixo acaba virando uma rolling release disfarçada. Chega a ser irônico: instalar meio GNOME extra só para ter um diálogo de arquivos decente. Isso não é solução, é paliativo pesado para um problema que não deveria existir basicamente por preguiça.

6. Extensões quebrando: a falsa promessa de liberdade

   
 Outro clássico do GNOME: “se não gosta, use extensões”. Só que:
  • cada release quebra extensões;
  • APIs instáveis;
  • dependência de mantenedores voluntários;
  • sensação constante de gambiarra.
    O usuário não quer viver num desktop onde “talvez funcione na próxima versão” e isso gera cansaço. E cansaço gera abandono. E isso também ocorre com distribuições que são pouco utilizadas em relação ao que se vê entre as mais utilizadas.

7. KDE não venceu por ser perfeito — venceu por respeitar o usuário

     
O KDE não é perfeito e nunca foi mas o Plasma entende algo fundamental: o desktop serve ao usuário e não o contrário. No KDE:
  • você pode simplificar (ou complicar, é liberdade do usuário, hehehe);
  • pode customizar;
  • pode ignorar opções;
  • pode usar GTK, Qt, Electron sem punição.
    Nada é imposto ou removido “para o seu bem” ou, quando é removido, pode ser reinserido. E isso faz toda a diferença no longo prazo.

Conclusão: o GNOME não está sendo preterido por acaso

Usuários não estão abandonando o GNOME porque ele é “diferente”, estão abandonando porque ele se tornou hostil à escolha. Quando:
  • controle básico é negado;
  • críticas são descartadas;
  • decisões viram dogma;
  • integração é sabotada;
  • UX vira doutrina.
o projeto deixa de ser desktop e vira manifesto e desktop não é lugar para manifesto (ou não deveria ser). É lugar para trabalhar. Se o GNOME continuar nesse caminho, não será “superado” tecnicamente, será evitado - novamente citando as distribuições que acham que deveriam existir do jeito que foram criadas sem levar em conta a evolução do ecossistema e dos usuários.

Evitado silenciosamente e sem drama pelos usuários, como eu fiz. É o Gnome se tornando aquela ex que ninguém quer mais encontrar por ela querer as coisas do jeito dela e não do jeito certo.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Instalando fontes no sistema Linux com script - Gnome Shell e Nautilus Scripts

Instalando fontes no sistema Linux com script - Gnome Shell e Nautilus Scripts

    Uma das grandes frustrações de usuários do Windows que experimentam ou mesmo usam Linux está na disparidade eventual de como um arquivo docx criado no Windows é visualizado no Linux e vice-versa e isso é devido a vários detalhes que não vem ao caso mas, a principal, é a falta de fontes usadas no documento na máquina que está abrindo o mesmo que não foi criado nela.

    Por exemplo, um docx criado no Word do Windows com uma fonte instalada no sistema fica (ou pode ficar) todo ferrado no LibreOffice do Linux que não tem essa fonte. Isso faz o "motor de renderização" no Linux escolher a fonte mais adequada para substituir a que não existe instalada e aí caga tudo, com linhas retiradas ou adicionadas, tabelas e imagens fora do lugar porque mudou a métrica de renderização do documento.

    Imagine o trabalho que dá pegar um documento docx no Linux, "consertar" os erros aparentes, fazer as edições necessárias e, ao "devolver" ao Windows, o usuário se vê eventualmente no trabalho de corrigir também as eventuais mudanças de layout no documento pois no Linux a fonte original - apesar de aparecer no documento - foi editada com a padrão do sistema, normalmente Noto Sans ou Cantarell que são as fontes "coringa".

    Olhe esse exemplo abaixo de um documento aberto COM a fonte original (Arial) no Linux:

    E agora o mesmo documento na mesma parte com a fonte substituta (Noto Sans no lugar da Segoe):

    Você pode instalar fontes dando uma lida nessa postagem, abaixo vou mostrar como fazer a instalação de fontes avulsas via script no Gnome. As fontes serão instaladas no sistema e não na pasta de usuário para deixar tudo mais universal. Primeiro vamos ver se a pasta necessária existe, abra o Terminal e digite o seguinte:

cd ~/.local/share/nautilus/scripts/

    Se der pasta não encontrada:

mkdir -p ~/.local/share/nautilus/scripts/

    De posse da pasta (criada agora ou já existente):

nano ~/.local/share/nautilus/scripts/Instalar\ fontes

    Coloque dentro:

 #!/bin/bash

TITLE="Instalador de Fontes"

# Verifica se há seleção
if [ -z "$NAUTILUS_SCRIPT_SELECTED_FILE_PATHS" ]; then
    zenity --error --title="$TITLE" --text="Nenhuma fonte selecionada."
    exit 1
fi

# Escolha do destino
DEST_CHOICE=$(zenity --list --radiolist --title="$TITLE" \
    --column="Seleção" --column="Destino" \
    TRUE "Usuário (~/.local/share/fonts)" \
    FALSE "Sistema (/usr/local/share/fonts)")

[ $? -ne 0 ] && exit 1

if [[ "$DEST_CHOICE" == *"Usuário"* ]]; then
    BASE_DIR="$HOME/.local/share/fonts"
    USE_SUDO=false
else
    BASE_DIR="/usr/local/share/fonts"
    USE_SUDO=true
fi

# Função com tratamento de espaços
instalar_fontes() {
    TARGET_DIR="$1"
    # Lê a lista linha por linha, preservando espaços
    while IFS= read -r FILE_PATH; do
        [ -z "$FILE_PATH" ] && continue
        
        # Só processa se for arquivo de fonte
        if [[ "$FILE_PATH" =~ \.(ttf|otf|woff|woff2)$ ]]; then
            FILENAME=$(basename "$FILE_PATH")
            FIRST_LETTER=$(echo "${FILENAME:0:1}" | tr '[:upper:]' '[:lower:]')
            FINAL_DEST="$TARGET_DIR/$FIRST_LETTER"

            mkdir -p "$FINAL_DEST"
            cp "$FILE_PATH" "$FINAL_DEST/"
        fi
    done
    fc-cache -f
}

export -f instalar_fontes

if [ "$USE_SUDO" = true ]; then
    # O segredo: passar a lista via printf para o pkexec bash
    echo "$NAUTILUS_SCRIPT_SELECTED_FILE_PATHS" | pkexec bash -c "$(declare -f instalar_fontes); instalar_fontes '$BASE_DIR'"
else
    echo "$NAUTILUS_SCRIPT_SELECTED_FILE_PATHS" | instalar_fontes "$BASE_DIR"
fi

zenity --info --title="$TITLE" --text="Concluído! Fontes organizadas com sucesso."

    Salve com CTRL + O e feche com CTRL + X. Depois ainda no Terminal:

chmod +x ~/.local/share/nautilus/scripts/Instalar\ fontes

nautilus -q

    Pra usar o script, baixe umas fontes conforme a postagem que sugeri aqui, selecione as fontes, botão direito do mouse, escolha no menu de contexto scripts/Instalar fontes:


 escolha a opção de sistema e pronto, aguarde a janela de finalização.

     Para saber se a fonte está instalada (exemplo para a fonte Segoe):

fc-list | grep "Segoe"

    O script cria a pasta /usr/local/share/fonts e coloca lá as fontes desejadas em forma de índice, dentro de subpastas criadas com a primeira letra da fonte para deixar a bagaça mais organizada. Para desinstalar a fonte, basta entrar na pasta e apagar as fontes desejadas, digitando depois no Terminal:

sudo fc-cache -fv

para recriar os índices de fontes. 

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Instalando o LibreOffice no Linux


 Instalando o LibreOffice no Linux

    A instalação dessa suíte de Office no Linux é bastante fácil e praticamente todas as distribuições já possuem essa suíte instalada por padrão ou disponível nos repositórios. Mas pode ocorrer da distribuição não ter opções de atualização  dos pacotes e em se tratando de programas de escritório é sempre interessante manter a versão mais nova possível.

    Há a possibilidade de instalação via Flatpak e Snap mas vou mostrar aqui como fazer a instalação no Debian através do site do desenvolvedor. Se for instalar "por fora" dos repositórios, desinstale a versão pré-instalada antes. Vá nesse endereço e escolha a opção de pacotes Debian.

    Vai ser baixado um arquivo compactado; descompacte-o em uma pasta qualquer, abra o Terminal dentro da pasta descompactada onde estão os arquivos .deb e digite:

sudo dpkg -i *.deb

sudo apt install -f

    O primeiro comando vai instalar todos os pacotes e o segundo corrige eventuais erros na instalação anterior. Baixe também os pacotes de tradução de interface de usuário e de help offline disponíveis na janela de download. A instalação é a mesma coisa, arquivo compactado, descompacte-o, entre na pasta e repita os dois comandos acima.

 Uma vez instalado, é só usar.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Como corrigir eventuais zumbidos no som do Linux

 Como corrigir eventuais zumbidos no som do Linux

    Pode ocorrer que o som do Linux tenha um ruído de fundo tipo "bzzzzzzzzzz" devido à captação de ruídos espúrios tanto do circuito de som quanto do microfone (nas gravações de vídeo e/ou áudio). Isso pode ser diminuído ou mesmo sanado usando essa dica.

    Abra o Terminal e digite:

 cat /proc/asound/modules

    Deve aparecer algo como:

snd_hda_intel

    Isso pode mudar de acordo com o driver de áudio usado no seu sistema. Por exemplo, para placas de som usb apareceria algo como "snd_usb_audio". De acordo com a saída mostrada, use o comando abaixo para saber se o "modo ocioso" ou de economia de energia da placa de som está ativo:

 cat /sys/module/snd_hda_intel/parameters/power_save

    Se aparecer 1 ou 01 o modo ocioso estará ativo na placa de som e vamos então tirar esse modo, que é ativado por padrão para economia de energia; isso pode fazer sentido para notebooks mas não para desktops. No Terminal, crie o arquivo audio_disable_powersave.conf:

sudo nano /etc/modprobe.d/audio_disable_powersave.conf

    Coloque dentro:

 options snd_hda_intel power_save=0

    Salve com CTRL + O e feche com CTRL + X e reinicie a máquina. Repita o comando:

  cat /sys/module/snd_hda_intel/parameters/power_save

e veja se aparece o número 0. Se aparecer, está tudo ok, caso contrário reveja as configurações.

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Usando alias no Terminal para comandos longos

Usando alias no Terminal para comandos longos

    Alias são "apelidos" que podemos criar para fazer com que comandos longos no Terminal sejam encurtados de modo a ficar mais fácil a sua utilização. Desse modo, um comandão como esse de converter vídeos mkv para mp4:

for file in *.mkv; do
  ffmpeg -hwaccel vaapi \
         -vaapi_device /dev/dri/renderD128 \
         -i "$file" \
         -vf "format=nv12,hwupload" \
         -c:v h264_vaapi -b:v 4M \
         -c:a copy \
         "${file%.mkv}.mp4"
done

poderia ser encurtado para algo como "mkv-mp4" e o alias, ao ser digitado no Terminal, "substituiria" todo o comando, facilitando em muito a operação com comandos. Os alias são colocados nos arquivos ~/.bashrc ou ~/.zshrc (dependendo do interpretador de comandos que você utiliza). A criação seria:

alias 'apelido'= resto do comando. Por exemplo, o comando de atualização de sistema:

sudo apt update && sudo apt full-upgrade

ficaria:

alias up='sudo apt update && sudo apt full-upgrade'

    Desse modo, para atualizar o sistema, basta digitar apenas o apelido (no caso, up) e o comando será carregado. Vou colocar aqui uma lista de alias que uso no meu dia a dia (os itens em vermelho são os alias a serem digitados):

    Para normalizar arquivos mp3 de uma pasta (não inclui subpastas): 

  • alias normalizar='mp3gain -r -c *.mp3'

    Para baixar o mp3 de vídeos de sites de streaming (arquivo vai ser salvo na pasta em que o Terminal estiver aberto): 

  • alias mp3='yt-dlp -x --audio-format mp3 -o "%(title)s.%(ext)s"'

    Para fazer update do Debian e agregados: 

  • alias up='sudo apt update && sudo apt full-upgrade'

    Para limpar pacotes órfãos e não necessários do sistema: 

  • alias limpar='sudo apt autoremove'

    Para converter arquivos AVI de uma pasta em MP4 em modo h264 (o alias deve ser digitado estando no Terminal na pasta com os arquivos AVI): 

  • alias avi-mp4='for file in *.avi; do ffmpeg -i "$file" -c:v libx264 -qp 24 -c:a aac -b:a 128k -movflags +faststart "${file%.mp4}.mp4"; done'

    Para converter arquivos MP4 de uma pasta em MKV em modo VA-API (o alias deve ser digitado estando no Terminal na pasta com os arquivos MP4):

  • alias mp4-mkv='for file in *.mp4; do ffmpeg -hwaccel vaapi -vaapi_device /dev/dri/renderD128 -i "$file" -vf "format=nv12,hwupload" -c:v h264_vaapi -b:v 2M -qp 24 -c:a aac -b:a 196k "${file%.mp4}.mkv"; done'

    Para converter arquivos MKV de uma pasta em MP4 em modo VA-API (o alias deve ser digitado estando no Terminal na pasta com os arquivos MKV):

  • alias mkv-mp4='for file in *.mkv; do ffmpeg -hwaccel vaapi -vaapi_device /dev/dri/renderD128 -i "$file" -vf "format=nv12,hwupload" -c:v h264_vaapi -b:v 2M -qp 24 -c:a aac -b:a 196k -movflags +faststart "${file%.mkv}.mp4"; done'

     Esses são alguns alias, o uso parece óbvio, o alias nos exemplos acima é o que está em vermelho bold. Uma vez que você tenha editado por qualquer razão os arquivos ~/.bashrc ou ~/.zshrc para que o ambiente seja "carregado" tem usar o comando sem as aspas " source ~/.bashrc " ou " ~/.zshrc ".

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Marcando e desmarcando pacotes para atualização, instalação e remoção no Debian e agregados

Marcando e desmarcando pacotes para atualização, instalação e remoção no Debian e agregados

    Há várias razões para se "travar" a atualização, instalação e remoção de pacotes no Linux, seguem algumas delas:

  • Economizar banda de internet;
  • Evitar que um programa seja desinstalado, atualizado ou instalado;
  • Evitar a atualização de um pacote que pode fazer o sistema ficar instável;
  • Evitar a atualização de um pacote que faça programas pararem de funcionar;
  • Manter uma versão de pacote ou programa cujas atualizações não o deixarem funcionar adequadamente.

    Há outras mas vou me ater nesses citados pois são as mais comuns. O Debian não sofre tanto em relação às atualizações pois usa pacotes bem testados e que sempre ficam ali no meio termo entre o mais atual e o nem tão atual; então as atualizações são relativamente espaçadas. Exemplificando, entre pacotes versão 1, 2 e 3 o Debian e agregados ficam no 2, onde o "1" é o mais antigo e o "3" o mais novo. Já nas versões rolling release (que não possuem "versões" como Debian 11, 12 ou 13) que possuem desenvolvimento contínuo há sempre pacotes a serem atualizados e que podem passar de 1GB de tamanho entre uma semana e outra.

    No caso de uma atualização de sistema, o Debian tem a versão atual + atualizações de sistema. Por exemplo, o Debian 13 no lançamento era 'Debian 13.0" e agora, uns 5 meses depois desse lançamento e algumas atualizações de sistema agora é "Debian 13.x". Por exemplo, digitando no Terminal:

cat /etc/os-release 

deverá aparecer:

PRETTY_NAME="Debian GNU/Linux 13 (trixie)"
NAME="Debian GNU/Linux"
VERSION_ID="13"
VERSION="13 (trixie)"
VERSION_CODENAME=trixie
DEBIAN_VERSION_FULL=13.3
ID=debian
HOME_URL="https://www.debian.org/"
SUPPORT_URL="https://www.debian.org/support"
BUG_REPORT_URL="https://bugs.debian.org/"

    Veja em vermelho que a versão do Debian 13 (Trixie) está atualmente em 13.3 e essa nomenclatura vai se alterando conforme atualizações DO SISTEMA (13.4, 13.5, etc) mas sempre mantendo a versão "13" que é o release do Trixie até o próximo lançamento, daqui a mais ou menos 2 anos com o Debian 14.

    Para travar pacotes, o comando seria:

sudo apt-mark hold nome-do-pacote (ou mais de um deles)

     Digamos que você queira bloquear os pacotes do Firefox e Google Chrome que aparecem para serem atualizados:

sudo apt-mark hold firefox firefox-l10n-pt-br google-chrome-stable      

    O comando acima faz com que os pacotes não sejam atualizados, não sejam desinstalados e eventualmente não sejam instalados. Dá pra fazer isso com qualquer pacote que esteja sendo instalado via apt. Por exemplo, depois de um " sudo apt update " pra ver o que está pra ser atualizado, é só escolher dessa listagem e eventualmente bloquear a atualização dos pacotes desejados. Para ver os pacotes que estão "holdados":

sudo apt-mark showhold

    Para "desholdar" um pacote:

sudo apt-mark unhold nome-do-pacote (ou nomes)

    Para desbloquear todos os "holdados":

sudo apt-mark showhold | xargs sudo apt-mark unhold

    A princípio pode parecer besteira bloquear certos pacotes mas com o tempo de uso e acúmulo de experiência dá pra notar a vantagem. E esses comandos servem para todas as as pilhas que usam o apt/dpkg. Se um pacote está em hold:

  • apt respeita;
  • GNOME (e Discovery do KDE) Software respeita;
  • PackageKit respeita;
  • aptitude respeita;
  • updates automáticos respeitam.

    Nada que use APT/dpkg vai mexer nele a não ser que seja forçado. O que não vai funcionar será então:

  • Flatpak (outro sistema)
  • Snap
  • AppImage
  • Programas compilados à mão (make install) ou instalados manualmente com cp.

    Boas holdadas aí...

 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Recuperando o Grub no Debian

Recuperando o Grub no Debian

    De vez em quando pode ocorrer da máquina do usuário ficar sem o boot, normalmente devido aos "testes de desempenho" que muitas vezes o próprio usuário faz para conseguir mais desempenho frente ao que o hardware pode entregar na configuração padrão do sistema; eu mesmo sou um desses usuários que tenta tirar água de pedra do meu equipamento e os procedimentos e resultados - bons e ruins - coloco no meu canal do Youtube.

    Para fazer a recuperação do Debian e agregados há a necessidade de usar um liveusb de uma distro baseada nele ou até mesmo o liveusb de instalação do próprio Debian. Aqui vou mostrar como fazer isso a partir de um liveusb, dá pra baixar uma ISO dessas com Gnome ou outra interface gráfica plenamente funcional no site do Debian.

    Basta criar o pendrive butável, dar boot na máquina por ele, abrir o Terminal e seguir a sequência de comandos abaixo, primeiro para máquinas MBR. Vamos descobrir qual a (ou as) partição presente no disco:

sudo fidsk -l

sudo fdisk -l                                                                                 
[sudo] senha para sidserra:      
Disco /dev/sda: 465,76 GiB, 500107862016 bytes, 976773168 setores
Modelo de disco: ST500LM012 HN-M5
Unidades: setor de 1 * 512 = 512 bytes
Tamanho de setor (lógico/físico): 512 bytes / 4096 bytes
Tamanho E/S (mínimo/ótimo): 4096 bytes / 4096 bytes
Tipo de rótulo do disco: dos
Identificador do disco: 0xf149afa4

Dispositivo Inicializar Início       Fim   Setores Tamanho Id Tipo

/dev/sda1   *             2048 976773119 976771072  465,8G 83 Linux


    Veja que o disco acima só tem uma partição (/dev/sda1) inteira para o sistema e para a pasta do usuário. 

sudo mount /dev/sdXY /mnt
sudo mount /dev/sdXZ /mnt/boot
        # somente se existir /boot separada

    Vamos ver como ficaria no disco mostrado mais acima:

 sudo mount /dev/sda1    # só tem um disco e uma partição e é MBR


    Veja que "sdXY" e "sdXZ" são, respectivamente, a PARTIÇÃO do sistema (/) e de boot MAS só se ela (a de boot) existir de forma separada.

sudo mount --bind /dev  /mnt/dev
sudo mount --bind /proc /mnt/proc
sudo mount --bind /sys  /mnt/sys
sudo chroot /mnt
grub-install --target=i386-pc /dev/sdX    
# mude /dev/sdX para /dev/sda, /dev/sdb de acordo com o comando fdisk

    Atenção que /dev/sdX é o DISCO onde o sistema está instalado e não a partição. Essa última linha no nosso disco de teste ficaria então:

grub-install --target=i386-pc /dev/sda

update-grub
exit
sudo umount -R /mnt
sudo reboot

    Veja se o boot da mesma voltou - provavelmente sim. Agora vamos ver para sistemas GPT/UEFI. As recomendações de sda, sdb, sda1 e tal seguem a mesma lógica.

sudo mount /dev/sdXY /mnt
sudo mount /dev/sdXZ /mnt/boot       
# somente se existir /boot separada
sudo mount /dev/sdXW /mnt/boot/efi   
# partição EFI (FAT32)
sudo mount --bind /dev  /mnt/dev
sudo mount --bind /proc /mnt/proc
sudo mount --bind /sys  /mnt/sys

sudo chroot /mnt

grub-install \
  --target=x86_64-efi \
  --efi-directory=/boot/efi \
  --bootloader-id=Debian

update-grub

exit
sudo umount -R /mnt
sudo reboot

     Reinicie a máquina e provavelmente o boot da mesma será restaurado. Pode ocorrer de você ter dois sistemas instalados no mesmo disco e o modo mais fácil é instalar o os-prober e depois rodar o comando:

apt install os-prober
update-grub

    Nesse caso NÃO É para usar exit, sudo umount -R /mnt e reboot pois o disco de sistema precisa estar instalado e montado já que esse pacote vai ser instalado no sistema que se quer recuperar. O OS-Prober normalmente vem desabilitado, então vamos habilitá-lo - novamente o sistema afetado tem que estar montado:

sudo nano /etc/default/grub
GRUB_DISABLE_OS_PROBER=false
    # se a linha estiver true, mude para false

Salve com CTRL + O e feche com CTRL + X e depois:

sudo update-grub

E agora sim:

exit
sudo umount -R /mnt
sudo reboot

 

 Seu sistema estará de volta com outros eventuais que você tenha na máquina.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Grub Customizer - ajeitando o seu Grub no Linux

 Grub Customizer - ajeitando o seu Grub no Linux

    O Grub Customizer é um programa gráfico de configuração do Grub (sistema de boot) da sua máquina com Linux e pode ser usado para boot simples e até multiboot. Para instalá-lo no Debian, abra o Terminal e digite:

sudo apt install grub-customizer

     Para abri-lo é só procurar no dashboard ou menu de aplicações.

    A aba Configuração da Lista permite, através dos botões "para cima e para baixo" determinar a posição das linhas de boot, que podem ser colocadas conforme a necessidade.

    Já a aba Configurações Gerais determina as ações conforme a descrição abaixo:

Entrada padrão:

  • Predefinido - Você escolhe qual linha de boot vai ser a opção selecionada padrão, útil quando se tem dual boot com Windows ou outra distribuição de Linux;
  • Entrada previamente utilizada - O sistema mantém a linha escolhida no boot anterior como a padrão. Aqui é útil quando você seleciona a linha de boot ao ligar a máquina e, nessa condição, o boot escolhido ficará como padrão até que você mude de novo, no boot da máquina, a linha de boot desejada.

    A diferença de predefinido e e previamente utilizada é que se a primeira estiver escolhida na configuração se você escolher no boot da máquina outra linha, na próxima vez que a máquina for ligada a linha de boot voltará a ser a que foi predefinida e não aquela que você escolheu no boot na máquina. Na opção de previamente utilizada o boot vai repetir a linha escolhida na última usada ao ligar o sistema. Por exemplo, na opção predefinida - digamos boot 1 - se (e sempre que) você ligar o PC ela vai ficar sempre no boot 1 mas você pode escolher no boot outra linha, sem problemas; Já na segunda opção (previamente utilizada) - digamos boot 2 - se (e sempre que) você ligar o PC ele vai "guardar" a última linha escolhida, ou seja, se você mudou do boot 1 para o boot 2 então o boot 2 é memorizado.

Visibilidade:

  • Mostrar menu é meio óbvio;
  • Procurar por outros sistemas operacionais habilita a detecção de outros sistemas no dispositivo, sejam eles no mesmo disco ou em discos diferentes;
  • Boot padrão você define o tempo de contagem da tela de boot até a entrada da linha de boot desejada. O valor é em segundos e você define o valor de acordo com a necessidade.
  • Parâmetros do kernel você define algumas variáveis do kernel para fazer com que o sistema se adeque melhor quando o kernel na sua configuração padrão.

    A aba Configurações de Aparência é para configurar o modo como o Grub é mostrado, podendo colocar imagem de fundo e configurar cores e fontes do mesmo.

    Sempre que você fizer alguma alteração do Grub, clique no botão Salvar e aguarde.

 

Baixando MP3 de sites de streaming

 Baixando MP3 de sites de streaming

    Há várias extensões e até sites que permitem que, de posse de um endereço de vídeo, tirar o áudio e salvá-lo como mp3. Isso é até útil quando o que interessa é apenas o áudio e é isso que vamos ver aqui.

    Sou adepto das músicas decentes dos anos 80 e 90 (boate, charme, R&B, rock nacional e disco) e não essa cagada que escutamos hoje nas rádios ou que aparecem como jabá em programas de TV. Graças a essa preferência mundial muitos produtores de conteúdo disponibilizam vídeos com essas músicas (algumas como videoclip, outras apenas como áudio mesmo mas com um slideshow pra "fingir" que é um vídeo). Claro que também tem o mesmo conteúdo para as "cagadas" mas aí é da escolha de cada um. Vamos instalar o programa YT-DLP (a instalação pode ser visto aqui) e o mp3gain.

sudo apt install mp3gain

    O mp3gain é um programa em linha de comando para normalizar os arquivos de áudio, ou seja, deixar os arquivos de áudio com o mesmo volume de som, aumentando-o quando estiver abaixo ou diminuindo-o quando estiver acima de determinado patamar, normalmente em torno de 89db. 

     Uma vez instalados os dois (YT-DLP e mp3gain), o uso é fácil. Para baixar o áudio de um vídeo o comando no Terminal seria (usando como base vídeos do YT):

yt-dlp -x --audio-format mp3 -o "%(title)s.%(ext)s" url-do-vídeo

    Esse comando vai extrair o áudio do vídeo e suprimir demais nomes compostos no nome final do arquivo. Esse mesmo comando vai baixar também playlists automaticamente e é bem útil pois assim você baixa um montão de arquivos e depois é só descartar o que não quer. No nosso exemplo de site de vídeo, a url do vídeo "sozinho" termina mais ou menos com (o endereço está incompleto já que omiti o endereço do site de vídeo):

watch?v=S3Poi2hBHA0

onde o texto em vermelho possui uma sequência de 11 a 13 caracteres. Já uma lista bem mais longa e composta, que seria (o endereço está incompleto já que omiti o endereço do site de vídeo):

watch?v=zpzdgmqIHOQ&list=RDEMaN9C20MoM3K8E1iVi3CAmg&start_radio=1

onde o vermelho é o arquivo de áudio sozinho e o resto em azul é a playlist onde aquele arquivo está listado. Seja qual for o modo escolhido, o arquivo (ou arquivos) será salvo na mesma pasta em que o Terminal estiver.

    Depois de ter salvo e mantido o que interessa, vamos deixar os mesmos no mesmo volume. Abra o Terminal na mesma pasta onde estão os arquivos e digite:

mp3gain -r -c *.mp3 

    Todos os arquivos serão normalizados. Podemos criar então dois alias para você colocar no seu ~/.bashrc para facilitar. Edite o mesmo:

nano ~/.bashrc

    Coloque lá no final do arquivo:

alias normalizar='mp3gain -r -c *.mp3'
alias mp3='yt-dlp -x --audio-format mp3 -o "%(title)s.%(ext)s"'

    Salve e feche com CTRL + O e depois CTRL + X e depois:

source ~/.bashrc

    Agora para baixar os mp3 basta digitar o alias (mp3) mais a url do vídeo. Ficaria assim (a url do vídeo deve ser completa dentro do que já foi explicado aqui):

mp3 url-do-vídeo

    De acordo com a escolha, você vai baixar um arquivo único ou a playlist completa. Para normalizar, simplesmente digite:

mp3

    A função do alias é simplesmente substituir o comando inteiro por um único, assim fica mais fácil "decorar" os mesmos já que alguns comandos podem ser relativamente longos. Se não houver necessidade de um arquivo ter o seu volume modificado ele simplesmente é "pulado".

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

O widget do Plasma 6 Área de Notificação

 O widget do Plasma 6 Área de Notificação

    O KDE Plasma passou por muito tempo pela vibe negativa de ser "comedor de recursos" e sim, até certo ponto era verdade pois, para recursos avançados, há necessidade de hardware mais atualizado, sem dizer a "bugaiada" que vinha na bagagem e que até hoje alguns ainda persistem, como o Plasma fechar de repente e ficar só o desktop ativo (hoje ele volta automaticamente).

    Com o tempo houve um refinamento da interface gráfica que, de certa forma, em termos de recursos é mais completa do que as outras interfaces gráficas que tem por aí e hoje em dia o Plasma consome basicamente o mesmo (comparativamente falando) que outras interfaces proporcionando uma melhor experiência de uso para o usuário. Claro que nem tudo são flores pois há funcionalidades que necessitam de OpenGL 3.0 para cima e isso vai depender do hardware utilizado mas isso não é só do Plasma já que ocorre com outras interfaces de um modo geral. Por exemplo:

  • VA-API (code/decode) via GPU depende da placa de vídeo (onboard ou não) presente no sistema. Uma placa de vídeo onboard GMA X4500 não tem suporte ao va-api de modo completo, apenas parcial e ainda assim para decode. Até mesmo NVidia como GeForce 700 para baixo e AMD Radeon X800 e HD 4000 pra baixo não possuem compatibilidade total e nativa ao va-api. Nesse quesito, as onboard da Intel HD 4000 pra cima dão um banho de desempenho nesse item em relação a conversão de vídeo;
  • OpenGL 3.3+ é necessário não só para recursos de efeitos da área de trabalho como também para captura de vídeo com o OBS Studio e para rodar jogos e outros programas. Se não tiver um OpenGL mínimo simplesmente o programa ou recurso não funciona ou funciona de modo "sem graça".

    Depois de falar tanto, chegou a hora de falarmos de um widget que já vem por padrão no Plasma 6 que é o Área de Notificação. É mais do que apenas um widget pra mostrar "janelinhas 'bunitinhas' de notificação", tem todo um leque de opções bem interessantes de acordo com a necessidade. E algumas dessas opções podem ser configuradas usando-se o ícone da engrenagem conforme a imagem abaixo.


    Os que você não achar necessários podem ser marcados como "desativado" para não "poluir" a barra de tarefas e os mais úteis podem ser marcados como "visível" ou "visível quando relevante". Os que eu uso como sempre visíveis:

  • Volume;
  • Conexão de rede;
  • Área de transferência (para acessar conteúdo jogado para o clipboard, grava até imagens e comandos e textos longos).


    Os que eu marco como "visível quando relevante":

  • Discos e dispositivos (mostra as unidades quando montadas e podem ser montadas/desmontadas pelo ícone);


  • Indicador de câmera (mostra qual programa está usando o recurso de câmera do sistema);
  • Notificações (para quase todo tipo de notificação do sistema, como montagem e desmontagem de dispositivos, downloads concluídos, cópia de arquivos, etc);
  • Reprodutor de mídia (permite usar um controlador de faixas - play, stop, próxima, anterior, pausa e parar).


    Os outros não são de meu uso cotidiano mas vale a pena dar uma experimentada. O bom é que é um widget padrão que já vem na interface sem a necessidade de instalá-la "por fora", não pesa no sistema e tem a sua utilidade, sem dizer no "charme" da funcionalidade.