segunda-feira, 23 de março de 2026

Vale a pena ter mais de uma interface gráfica no seu Linux?

Mais de uma interface gráfica no sistema

Nos meus anos de uso de Linux (sim, eu não uso só por um dia e depois largo) já usei todo tipo de interface gráfica (ou ambiente de desktop) e de versões de Linux, de principais até as derivadas e hoje em dia prefiro usar uma principal customizada com o que eu preciso. Não adianta pegar uma "baseada" do tipo "podrão da Central" (termo no RJ para aquele sanduba com tudo dentro) onde o "desenvolvedor" enfia nessa "distribuição" tudo o que ele acha que o usuário vai precisar no dia a dia e tira desse mesmo usuário o eventual e valioso aprendizado para implementar um desktop mais produtivo.

Muitos usuários usam a máquina do jeito que recebem, acham um saco ou mesmo perda de tempo deixar o sistema funcional para as suas necessidades. Pra que perder tempo em fóruns e vídeos na internet que pedem Pix de 10 pilas e ensinam como configurar as coisas se fumar e beber - que são coisas dispensáveis - são prazeres temporários e mais caras do que conhecimento? Cadê a curiosidade, a vontade de experimentar, deixar as coisas do seu jeito? Essas coisas devem estar nas telas do Tigrinho...

Aqui vou falar dos prós e contras de se usar mais de uma interface gráfica no seu desktop Linux.

Alguns prós

  • Aumenta o leque de aprendizado e experiência de uso;
  • Se um ambiente morrer tem outras opções;
  • Integração de aplicativos ou recursos que funcionam melhor em um ambiente gráfico do que em outro;
  • Se ficar de saco cheio de uma interface (e acredite, vai ficar) dá pra trocar por outra sem precisar instalar/desinstalar.

Alguns contras
  • Aumenta o espaço em disco utilizado;
  • Aumenta o tamanho da instalação final e dos eventuais updates de pacotes ao longo do uso;
  • Os menus de aplicativos acabam ficando mais poluídos pelos outros aplicativos das outras interfaces gráficas;
  • Bibliotecas redundantes (no caso, GTK e QT);
  • Serviços que se iniciam e que não pertencem ao ambiente em uso, como dois serviços de notificação ou dois keyrings de senhas;
  • A aparência entre aplicativos podem ficar "feia" se rodarem no ambiente ao qual não "pertencem".

A imagem acima mostra como fica a sessão Sistema tendo GnomePlasma 6 e XFCE na mesma máquina, onde é mostrado ícones de programas das 3 interfaces gráficas. Algumas não são mostradas pois alguns arquivos .desktop tem a variável OnlyShowIn=XFCE. Por exemplo, o Cairo-Dock:

[Desktop Entry]
Type=Application
Exec=cairo-dock
Icon=cairo-dock
Terminal=false
Name=Cairo-Dock
Comment=A light and eye-candy dock and desklets for your desktop.
Comment[pt_BR]=Um dock de aplicativos bonito e leve com desklets para o seu ambiente de trabalho.
Categories=System;
OnlyShowIn=XFCE;
Hidden=false

Esse parâmetro faz com que o ícone do Cairo-Dock só apareça no XFCE e isso é usado nos .desktops para permitir ou não que programas de um ambiente "apareçam" em outro. Isso não é padrão de ser feito, eu mesmo coloquei esse parâmetro para que o Cairo-Dock apareça só no XFCE mesmo porque estou satisfeito com o Dash to Dock do Gnome e com o painel de ícones do Plasma 6. E atenção, o ícone pode não aparecer MAS o programa ainda estará disponível para ser aberto.

Tirando os "contras" não há problemas no uso de mais de uma interface gráfica, o que gere isso é basicamente a necessidade pessoal. Os desktops podem ser configurados de modo que os ícones de programas "oficiais" do ambiente fiquem mais acessíveis.

Por exemplo, a extensão Dash To Dock permite que o usuário coloque os programas que mais usa no dock de ícones que fica disponível o tempo todo e, em modo overview, juntar na primeira janela de ícones o resto dos programas que usa "menos vezes" e o resto ele "joga pra lá" (nas outras telas do overview).

No Plasma, a mesma coisa. O dock de ícones recebe os programas mais utilizados e o Kicker (o menu de aplicativos) tem a possibilidade de se colocar os outros favoritos na listagem.

E no XFCE - que pode ser visto na primeira imagem, o Cairo-Dock possui os ícones dos programas mais usados, ficando o resto no menu de aplicativos e que podem ser chamados pelo U-Launcher (no meu caso).

Só quando se usa ambientes de desktop cujos menus de ícones são mais "crús" (como o do XFCE) é que o caldo pode engrossar. A combinação de interfaces como MateCinnamon e XFCE podem dar mais trabalho de serem configuradas mas, no final, o efeito é o mesmo, cada ambiente configurado com o que mais se usa sem interferir no funcionamento do outro ambiente.

Até pode dar trabalho mas vale a pena.
 

 

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